Tag: Memento Mori
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Raymond Carver – Esta manhã

Esta manhã foi especial. Um pouco de nevecobria o chão. O sol flutuava num clarocéu azul. O mar estava azul, e verde-azulado,até onde o olho podia enxergar.Calmo. Quase sem ondas. Eu me vestie saí para caminhar – decidido a não voltaraté receber o que a Natureza tivesse a oferecer.Passei perto de algumas árvores velhas, curvadas.Atravessei…
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Fernando Pinto do Amaral – Por causa de uma ave

“Por causa de uma ave”, um poema de Fernando Pinto do Amaral que transforma o esqueleto de um pássaro em revelação brutal da mortalidade, ligando a perda íntima à consciência inquieta da própria finitude.
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Faith Shearin – O que eu gosto

Não da festa em si — um turbilhão de momentos desconfortáveis e risosque, na verdade, querem dizer outra coisa. Não do momento logo após o fimda festa, quando nos jogamos no sofá, pratos espalhados por toda parte,bitucas de cigarro flutuando no refrigerante, um único pedaço intocado de torta sobre a mesa de centro. O que…
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Carmen Conde – [Declaro que morreu e que seu túmulo]
![Carmen Conde – [Declaro que morreu e que seu túmulo]](https://singularidadepoetica.art/wp-content/uploads/2024/01/leonardo_diffusion_xl_create_an_artistic_representation_of_a_s_2.jpg)
Declaro que morreu e que seu túmuloestá dentro de mim; sou seu sudário.A ninguém se enterrou porque seu trânsitono tempo foi de loucas esperanças. Circundam o contorno desta cova– quente é a vinha que escala as paredes –os pâmpanos mais tenros e suculentosque arrancam do silêncio seu tumulto. Trad.: Nelson Santander REPUBLICAÇÃO: poema publicado na…
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Li-Young Lee – O grande relógio

Quando o grande relógio da estação parou,as folhas continuaram a cair,os trens continuaram a circular,o cabelo da minha mãe continuou a crescer, ainda mais comprido e mais negro,e o corpo do meu pai continuou a encher-se de tempo. Não consigo ver o ano no calendário da estação.Dormimos sob os ponteiros parados do relógioaté a manhã,…
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Mark Strand – O guardião

O sol se pondo. Os gramados em chamasO dia perdido, a luz que se apagou.Por que amo o que desvanece? Tu que partiste, que estavas partindo,que quartos escuros habitas?Guardião da minha morte, preserva minha ausência. Eu estou vivo. Trad.: Nelson Santander Mais do que uma leitura, uma experiência. Clique, compre e contribua para manter a…
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Raymond Carver – Um passeio

Saí para caminhar pelos trilhos do trem.Caminhei algum tempo por elese cheguei ao cemitério do povoado,onde um homem descansa entreduas esposas. Emily van der Zee,Mãe e Esposa Amada,está à direita de John van der Zee.Mary, a segunda senhora Van der Zee,também uma Esposa Amada, à sua esquerda.Primeiro Emily se foi, depois Mary.Anos mais tarde, foi…
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Sharon Olds — Cemitério de Leningrado, Inverno de 1941

Naquele inverno, os mortos não puderam ser enterrados.O solo estava congelado, os coveiros fracos de fome, a madeira dos caixões era usada como combustível. Por isso, eles foram cobertos com algoe levados em um trenó de criança para o cemitério,no ar abaixo de zero. Eles jaziam no solo,alguns envoltos em um pano escuroamarrado com corda…
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Aleksandr Blok – Cleópatra

Cleópatra O museu triste da rainhaHá um, dois, três anos já se abriu.Bêbada e louca a turba ainda se apinha…Ela espera no túmulo sombrio. Jaz na sinistra caixaDe vidro, nem morta nem viva.Sobre ela a multidão salivaPalavras torpes em voz baixa. Ela se estende preguiçosamenteNo sono eterno a que se recolhera…Lenta e suave, uma serpenteMorde…
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Sharon Olds – Depois

Depois que o urso de 250 quilos passa por mim,da esquerda para a direita, a apenas um metro e meio de distância,percebo que agora começo a respirar pesadamenteno meio dos meus doze degraus — então eu medeito na cama e ofego por um tempo.E o tremor se intensifica, de modo que, quando estou cozinhando,literalmente misturo…