Tag: Memento Mori
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Kim Moore – Para minha filha

E mais tarde, quando ela perguntar,direi que algumas partes foram belas –como, em seu brilhoe súbita abertura,os rostos dos vizinhospassaram a parecer flores.Contarei como começamosa revisitar fotosde nossos eus mais jovens,abraçados a um estranhoou apoiados nos ombrosde amigos, e vimos que o toquesempre foi uma espécie de santidade,uma forma de adoração que nos foi prometida.Direi…
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Manuel Bandeira – Versos de Natal

Espelho, amigo verdadeiro,Tu refletes as minhas rugas,Os meus cabelos brancos,Os meus olhos míopes e cansados.Espelho, amigo verdadeiro,Mestre do realismo exato e minucioso,Obrigado, obrigado! Mas se fosses mágico,Penetrarias até o fundo desse homem triste,Descobririas o menino que sustenta esse homem,O menino que não quer morrer,Que não morrerá senão comigo,O menino que todos os anos na véspera…
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Walt Whitman – Uma meia-noite clara

Esta é tua hora, ó Alma, teu voo livre rumo ao inexprimível,Longe dos livros, da arte, o dia desfeito, a lição concluída,Tu emergindo plenamente, silente, contemplativa, refletindo sobre os temas que mais amas:A noite, o sono, a morte e as estrelas. Trad.: Nelson Santander Mais do que uma leitura, uma experiência. Clique, compre e contribua…
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Denise Emmer – Da Morte

Os mortos não sobem aos céusnem elevam-se abstratostornam-se apenas retratoslado a lado nas paredes. Retrato do avô imóvelaustero e silenciosodo tio tuberculosoque esquivo me espia. A avó já está friamas me olha com ternuratece uma colcha escurapara as bodas da família, Mortos não sobem trilhasde inconsistentes arranjosnão viram anjos nem brisasnem cristos nem assombrados. Sequer…
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Ian Hamilton – Pai à beira da morte

Seus dedos, tufos de pelos de cobertorPresos sob as unhas, se estendem para tocarAs rosas ao lado da cama, despetalando com o calor.Caem pétalas brancas. Presas em sua mãoElas escurecem, empapadas em suor, depois enrolam,Secam e caem. Hora após horaElas gotejam do ramo. Por fimEle está limpo e, quando você o toca, frio.Você se inclina para observar…
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Abel Silva – O Poço

A moeda do Acasocai tão fundono Poço dos Destinosque vivemos descoladosdo viver do outro,como num contrato de comportamento.O milagre do viver nos entorpece.Então a notícia da doença de um amigo,o convite para a missa de um outro,um susto, um alarme, uma suspeitanos vareja no rosto uma aragem de morte.Às vezes choramos,ficamos desorientadosmas abrimos os olhos,levantamos…
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Carlos Drummond de Andrade – Procura

Procurar sem notícia, nos lugaresonde nunca passou;inquirir, gente não, porém textura,chamar à fala muros de nascença,os que não são nem sabem, elementosde uma composição estrangulada. Não renunciar, entre possíveis,feitos de cimento do impossível,e ao sol-menino opor a antiga busca,e de tal modo revolver a morteque ela caia em fragmentos, devolvendoseus intactos reféns — e aquele…
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Joan Margarit – Cemitério de Montjuïc

Algo resta das almas,como a brisa que surgedepois de alguém passar,e que faz estremeceruma fina cortina na janela.Pela trilha de pedras ásperas que não esquecemmas calam, severas, o que sabem,o vento deixa um silêncio de lágrimaspor vidas como a nossa, perdidas.“Jazigo perpétuo”, a terrasempre dura, fileiras de ciprestes:provinciano teatro da morte.Nosso amor é como o…
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Lisel Mueller – Isso é o que você fará

O que você fez quando a geleira cobriu sua boca com gelo quando suas escamas se desprenderam e foram deixadas no chão para se deteriorar quando você parou de trilhar as águas e começou a respirar o ar? O que você fez quando percebeu que era diferente dos outros quando foi privado de sua pelagem…
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Ivan Junqueira – A tua data

Alguém só morre em sua data,que é única, ôntica, enfática.Nunca depende de quem vainem de quem fica ao pé da lápide. É quando o corpo, enfim, se acaba,e, se dele a alma se aparta,não cabe a ninguém afirmá-lo,nem se a tinha, em vida, o finado. É quando as lâmpadas se apagame trocam-se então os cenários,as…