Tag: Infância
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Manuel António Pina – As vozes

A infância vem pé ante pé sobe as escadas e bate à porta – Quem é? – É a mãe morta – São coisas passadas – Não é ninguém Tantas vozes fora de nós! E se somos nós quem está lá fora e bate à porta? E se nos fomos embora? E se ficamos sós?
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Jorge Luis Borges – João 1,14

Não será menos enigmática esta páginaque as de Meus livros sagrados nem aquelas outras que repetemas bocas ignorantes,por julgá-las de um homem, não espelhosobscuros do Espírito.Eu que sou o É, o Foi e o Serátorno a condescender com a linguagem,que é tempo sucessivo e emblema.Quem brinca com um menino brinca com algopróximo e misterioso;eu quis…
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Carlos Drummond de Andrade – Procura

Procurar sem notícia, nos lugares onde nunca passou; inquirir, gente não, porém textura, chamar à fala muros de nascença, os que não são nem sabem, elementos de uma composição estrangulada. Não renunciar, entre possíveis, feitos de cimento do impossível, e ao sol-menino opor a antiga busca, e de tal modo revolver a morte que ela…
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José Mateos – Canção 1

Ainda quase um meninoe sentaste a esperar àbeira do grande silêncio. Pensavas que, a sóscom tua voz, talvez pudessesroubar ao mar seu segredo. Foi-se a tua juventude.Mudos passaram os anose agora estás oco por dentro. Poderias, se enfim soasseo acorde do grande silêncio,chegar a cantar seu eco? Trad.: Nelson Santander José Mateos – Canción 1…
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Albano Martins – Haicais

Juncos em movimento.Os cabelos da águapenteados pelo vento. *Num frutosazonado é o tempoque amadurece. *Romãs: as últimasbrasas do incêndiodo verão. *Maçã – disse a criança.E era apenas o soldependurado nos ramos. *Morango. O frágilCoração da terralevado à boca. *O mel no frasco:exposto, para consumo,o suor da abelha. *Mais cedo ou mais tardeo silêncio viráperguntar por…
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Miriam Reyes – Imóvel

abandonado a teu peso de homem imóvel olhas-me com antiquíssimos ressentimentos. Ouve-me bem: sou inocente de teu passado não sou a tua puta mãe nem a tua enferma mãe nem a tua louca mãe embora seja uma puta louca. Não mereço receber agressões alheias, atrasadas e caducas. Não projetes em mim os fantasmas de tua…
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Alejandra Pizarnik – Capítulos Principais

Chega a morte com sua manada de ossos sorrio submissa a uma menina idiota que implora em meu nome juntas (a morte, a menina e eu) não encontramos outro ofício para execrar. No final todos se casam: o mar e as ondas, a noite e a escuridão, a taça e o vinho, o anel e…
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Antonia Pozzi – Novembro

E depois – quando eu partir restará alguma coisa de mim no meu mundo – restará um fino rasto de silêncio no meio das vozes – um ténue sopro de branco no coração do azul – E numa noite de Novembro uma menina frágil à esquina de uma rua venderá braçadas de crisântemos e lá…
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Joan Margarit – Discurso do Método

Já de criança procurava as janelas para pode fugir com o olhar. Desde então, se entro em um lugar, observo com atenção onde deixo meu casaco e onde está a porta de saída. Liberdade, para mim, quer dizer fuga. Há muitas portas no mundo. Inclusive o sexo, em caso de emergência, pode sê-lo, embora todas…
