Dorianne Laux – Interstício

Nós montamos o quebra-cabeça peça
por peça, apreciando como um entalhe
curvo se insere tão suavemente no outro.
Uma mancha amarela se transforma
na palha de uma vassoura, e duas peças azuis
completam o último pedaço do céu.
Juntos, remendamos as cadeiras de balanço e as árvores
do outono, combinando ouro com ouro. Temos
nas palmas das mãos os olhos do cervo, e um par
de sapatos marrons. Fazemos isso enquanto a criança
circula pelo seu quarto, impaciente
em seu desabrochar, cansada
da casa limpa, da cama feita,
do prato farto. Deixamos que ela medite
enquanto remexemos as peças,
colocando cada uma em seu lugar com requintes
de satisfação, nossas costas viradas por algumas horas
para um mundo se desmantelando, um céu
que está desabando, as peças
para as quais seremos obrigados a retornar.

Trad.: Nelson Santander

Break

We put the puzzle together piece
by piece, loving how one curved
notch fits so sweetly with another.
A yellow smudge becomes
the brush of a broom, and two blue arms
fill in the last of the sky.
We patch together porch swings and autumn
trees, matching gold to gold. We hold
the eyes of deer in our palms, a pair
of brown shoes. We do this as the child
circles her room, impatient
with her blossoming, tired
of the neat house, the made bed,
the good food. We let her brood
as we shuffle through the pieces,
setting each one into place with a satisfied
tap, our backs turned for a few hours
to a world that is crumbling, a sky
that is falling, the pieces
we are required to return to.

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