Tag: Envelhecimento
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Thom Gunn – O atiçador

Quarenta e oito anos atrás —Já se passaram mesmo quarenta e oito anosDesde então?— eles forçaram a portaQue ela havia barricadoCom o peso de uma escrivaninha inteiraPara que ninguém descobrisse, como eles descobriram,o que ela havia bloqueado. Ela havia bloqueado a portaPara manter as crianças do lado de fora.Em seu roupão vermelho,Ela fizera anotações, ocupada…
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Cheryl Pearson – Contando estrelas

O cheiro de gelo nos pinheiros. Frio e verde,como uma lufada de hortelã. Suas omoplatas como asas de anjocortando a grama. Moisés dividiu as águas assim mesmo.Não foi tão milagroso quanto isto. Nós. Sua pele, a brancura dela brilhandoatravés do algodão. Você faz um círculo com o polegar e o indicador,uma lente telescópica. E diz:…
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Albert Katz – Ao chegar aos 70

Leia “Ao chegar aos 70”, de Albert Katz, um poema espirituoso e comovente sobre envelhecimento, memória e reinvenção pessoal.
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Jack Gilbert – Poemas e Elegias para Michiko Nogami: VII – Encontrando algo

Uma cena familiar aproxima infância, envelhecimento e a tarefa de carregar aquilo que amamos. O poema encontra sentido em gestos concretos de cuidado, enquanto felicidade e passagem do tempo permanecem discretamente ligadas.
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Javier Salvago – Um pouco mais sábios, um pouco mais cegos

Quando não somos mais jovens, nos convencemosde que o diabo sabe mais por ser mais velhoe admitimos que os anos nos ensinama distinguir a realidade do sonho.Talvez não. Talvez a vida sóse nos mostre uma vez – quando temosolhos para aprecia-la – e depois vamosesquecendo seu rosto e seu segredo. Trad.: Nelson Santander REPUBLICAÇÃO, com…
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Mario Benedetti – Tempo sem Tempo

Preciso de tempo, necessito desse tempoque os outros deixam de ladoporque lhes sobra ou já não sabemo que fazer com eletempoem brancoem rubroem verdemesmo em castanho escuronão me importa a corcândido tempoque eu não posso abrire fecharcomo uma porta tempo para olhar uma árvore, um farolpara caminhar à beira do descansopara pensar que bom que…
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George Bilgere – Tudo bem

Estou aqui sentado na calçada, envelhecendo em um café,soltando a fumaça amarela e doentia da decomposiçãoenquanto as pessoas passam fingindonão notar, desviando o olhar para longeou para os seus telefones,fazendo o possível, por educação ou choque,para me ignorar sentado aqui envelhecendo,e eu não os culpo, é difícil de ver. E agora a garçonete em sua…
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Malena Mörling – Do trem

Pouco antes do sol desapareceratrás de uma fileira de armazénse antes que ele voltasse à tonapara lavar nossas roupasdas sombras, eu notei algo —Era apenas um pedaço de papel,mas estava pendurado em uma das paredes expostasde um dos prédios parcialmente demolidosque passavam flutuando.Notei também o contornode uma velha escadae o desgastado papel de parede verde…
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Inês Lourenço – Sala Provisória

Nunca se sabequando estamos num lugarpela última vez. Numa casaque vai ser demolida, numa salaprovisória que vai encerrar, num velhocafé que mudará de ramo, comopágina virada jamais reaberta, comocanção demasiado gasta, comoabraço tornado irrepetível, numaporta a que não voltaremos. REPUBLICAÇÃO: publicado no blog originalmente em 02/12/2018
