Tag: Envelhecimento
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Javier Salvago – No verso de uma velha fotografia

“No verso de uma velha fotografia”, um poema de Javier Salvago que evoca memórias de um tempo intocado pelas grandes transformações e eventos históricos que moldaram o mundo moderno, questionando o significado da liberdade e da passagem do tempo.
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Patrick Philips – Matinê

Após a biópsia,após a cintilografia óssea,após a consulta e o choro, por algumas horas ninguém conseguia encontrá-los,nem mesmo minha irmã,porque acontece que eles tinham ido ao cinema.Passava uma tragédia,um épico, mas no fim eles foram de comédia,com suas cocase pipocas, a velha mulher sussurrando tudo duas vezes,o velho maridocobrindo o ouvido com a mão, enquanto…
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Mark Strand – A história

É a velha história: queixas sobre a luaafundando no mar, sobre as estrelas desvanecendo na primeira luz,sobre o gramado molhado de orvalho, o frio e prateado gramado. E por aí vai: um homem olha para a própria sombrae afirma serem as cinzas de si mesmo se desprendendo, diz que seus diassão os verdadeiros buracos negros…
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Emily Jungmin Yoon – Entre o equinócio de outono e o solstício de inverno, hoje

Li um poema coreanocom o verso “Hoje você é o mais jovemque jamais será”. Hoje sou a mais velhaque já fui. Hoje bebemos chá de trigo sarraceno. Hoje há calorem meu apartamento. Hoje pensona palavra coreana chada.Significa frio. Significa estar cheio.Significa bater. Vestir. Hoje estamos gastos.Hoje você veste o frio. Sua pele gelada.Meu coração bate…
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José María Cumbreño – Identidade

Durante anos, a roupa que vesti herdei do meu irmão mais velho.Meu nome me foi dado em homenagem ao meu avô.O primeiro carro que dirigi era de segunda mão.A primeira mulher que me beijou já havia beijado outros.A casa em que moro é alugada.Tudo o que eu vier a escrever alguém já terá escrito muito…
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José Asunción Silva – Obra Humana

No interior da floresta intocadaem que, uma noite, no início de maio,tocou a velha ramagem folhadada pálida lua o primeiro raio, poucos meses depois a luz de gásda aurora na estação iluminouo curso da locomotiva audazque por trilhos duríssimos cruzou. E onde fora certa vez um abrigo,porto seguro de um alado enxame,atravessou o espaço um…
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Randall Jarrell – O rosto

O Rosto Die alte Frau, die alte Marschallin!* Não é mais agradável, tampouco belo, Nem mesmo jovem. Este não é o meu. Onde está o antigo, os anteriores? Aqueles eram os meus. É assim: eu tenho fotos, Mas não tão antigas; as pessoas se comportavam De forma diferente antigamente… quando me encontram hoje, dizem: Você…
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Platão – da “Antologia Grega”

Epigrama atribuído a Platão, da “Antologia Grega”, que transforma o espelho em símbolo cruel da passagem do tempo e da perda da antiga beleza.
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Adam Zagajewski – Amizades impossíveis

Por exemplo, com alguém que já não existe,e que deixou apenas cartas amareladas. Ou longas caminhadas à beira de um riacho,onde, no fundo, jazem ocultas xícaras de porcelana — e conversas sobre filosofiacom um tímido estudante ou um carteiro. Um transeunte de olhar altivoa quem você nunca conhecerá. Amizade com este mundo cada vez mais…
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Ann Fischer-Wirth – Milagre de um coração sagrado e três folhas de faia, cada uma machada de verde e carmesim

“Milagre de um coração sagrado e três folhas de faia”, um poema de Ann Fischer-Wirth que resgata, na matéria frágil do envelhecer, a persistência luminosa da identidade e da ternura.