O cheiro de gelo nos pinheiros. Frio e verde,
como uma lufada de hortelã. Suas omoplatas como asas de anjo
cortando a grama. Moisés dividiu as águas assim mesmo.
Não foi tão milagroso quanto isto. Nós. Sua pele, a brancura dela brilhando
através do algodão. Você faz um círculo com o polegar e o indicador,
uma lente telescópica. E diz: Vamos tentar contar as estrelas, e eu observo
enquanto você vasculha o universo de ponta a ponta para mim, toda aquela velha e variada luz
numerada, definida, caindo pelo aro ósseo como um punhado de sal.
Agora eu sei. Como as galáxias colapsam.
Como mundos inteiros podem nascer de uma garganta.
Trad.: Nelson Santander
Counting Stars
The smell of ice in the pines. Cold and green,
like lungfuls of mint. Your shoulderblades like angelwings
cleaving the grass. Moses parted water like that.
It wasn’t as miraculous as this. Us. Your skin, the white of it shining
through cotton. You make a circle of thumb and finger,
a telescopic lens. You say, Let’s try and count the stars, and I watch
as you sift the universe through to me, all that old assorted light
numbered, defined, falling through the bone ring like so much salt.
I know it now. How galaxies collapse.
How whole worlds can be born in a throat.

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