Tag: crítica
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Fatimah Asghar – Partição

você é caxemire1 até que queimem sua casa. tomem seus pomares. finquem outra bandeira. até que ninguém se lembre da estrada que leva você de volta. você é indiana até que tracem uma fronteira pelo punjab. até que os capitães britânicos cuspam paki2 enquanto bebem seu chai e adicionem tanta espuma que você não consiga sentir…
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Seamus Heaney – Tempestade na ilha

Estamos preparados: construímos baixas nossas casas,cobrimo-las com boa ardósia e cravamos as paredes na rocha.Esta terra mirrada nunca nos deu trabalhoCom feno, por isso, como você pode ver, não há pilhasDe palhas que se possam perder. Nem árvoresQue pudessem fazer companhia quando ela sopra em plenaRajada: você sabe o que eu quero dizer – folhas…
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Marie Howe – Prece

Todos os dias eu quero falar com você. E todo dia algo mais importantechama minha atenção – a farmácia, produtos de beleza, a mala que devo comprar para a viagem.Mesmo agora, mal consigo ficar aqui entre pilhas de papéis e roupas desabando, os caminhões de lixo lá forajá rangendo e fazendo barulho. Os místicos dizem…
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Ángel González – O amanhã é um mar profundo que precisamos atravessar a nado

Queria ser alga, água, tudo ao teu redor, para unir meu sentimento ao rumor do mar. “O amanhã é um mar profundo que precisamos atravessar a nado”, um poema de Ángel González
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Helena Zelic – Bem-vinda

em uma casa desconhecidaé preciso observar os movimentos das coisas: o gás se vem da rua ou botijãoas árduas relações entre tomadas e eletrodomésticosbotões de liga e desligaa política da limpezase toda sujeira é política.as cores das chaves, as trancas trocadasencaixar, tirar e encaixar de novona busca do que é espontâneo.entrar na casa como se…
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Raymond Carver – Esta manhã

Esta manhã foi especial. Um pouco de nevecobria o chão. O sol flutuava num clarocéu azul. O mar estava azul, e verde-azulado,até onde o olho podia enxergar.Calmo. Quase sem ondas. Eu me vestie saí para caminhar – decidido a não voltaraté receber o que a Natureza tivesse a oferecer.Passei perto de algumas árvores velhas, curvadas.Atravessei…
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Caitlyn Siehl – Uma carta ao amor

O primeiro poema que escrevi que não era sobre vocêestava todo em maiúsculascomo se estivesse tentando compensara sua ausência. Era sobre um mundo distante desteonde todas as plantas eram aterrorizantes,mas tinham poderes de cura se tivéssemos a coragemde tocá-las. O primeiro poema que escrevi que não era sobre vocêinflou a garganta como um sapo-boie implorou…
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Jane Hirshfield – O Homem Gentil

Vendi o relógio do meu avô,seu ouro rosado e padrões pontilhados,para ser derretido.Mecanismo irrecuperável.Tampa ausente.Corrente — deve ter havido uma —ausente.Seus números pintadoscom um único e habilidoso pincel.Dei corda à coroaantes de entregá-lo sobre o balcão.O homem gentil recebeuo que lhe trouxe como se fosse à Stasi*.Ele pesou o mel do tempo. * N. do…
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Emily Dickinson – “Senti um Féretro em meu Cérebro…”

Senti um Féretro em meu Cérebro,E Carpideiras indo e vindoA pisar — a pisar — até eu sonharMeus sentidos fugindo — E quando tudo se sentou,O Tambor de um Ofício —Bateu — bateu — até eu sentirInerte o meu Juízo E eu os ouvi — erguida a Tampa —Rangerem por minha Alma comTodo o Chumbo…
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Tishani Doshi – Poema de Amor

No fim, perderemos um ao outropara alguma coisa. Eu até preferiria algograndioso — morte ou desastre.Mas pode não ser assim.Pode ser que você saiacerta manhã para comprar cigarros,depois de fazermos amor,e nunca mais volte,ou que eu me apaixone por outro homem.Pode ser um lento deslizamento para a indiferença.Seja como for, teremos de aprendera suportar o…