No fim, perderemos um ao outro
para alguma coisa. Eu até preferiria algo
grandioso — morte ou desastre.
Mas pode não ser assim.
Pode ser que você saia
certa manhã para comprar cigarros,
depois de fazermos amor,
e nunca mais volte,
ou que eu me apaixone por outro homem.
Pode ser um lento deslizamento para a indiferença.
Seja como for, teremos de aprender
a suportar o peso da eventualidade
de que perderemos um ao outro para alguma coisa.
Então por que não começar agora, enquanto sua cabeça
repousa como uma lua perfeita em meu colo,
e os cães na praia estão uivando lá fora?
Por que não alcançar a costura desta
noite no sul da índia e rasgá-la, só um pouco, para que a queda
possa começar? Porque mais tarde, quando cruzarmos
um com o outro nas ruas e formos obrigados a desviar os olhos,
quando tivermos lançado
os pedaços descartados do que fomos nós
nas gavetas do quarto e o cheiro
de nossos corpos estiver desaparecendo como a doce
decomposição dos lírios – do que chamaremos isso,
quando não for mais amor?
Trad.: Nelson Santander
REPUBLICAÇÃO, com alterações na tradução: poema publicado na página originalmente em 30/06/2018
Tishani Doshi – Love Poem
Ultimately, we will lose each other
to something. I would hope for grand
circumstance — death or disaster.
But it might not be that way at all.
It might be that you walk out
one morning after making love
to buy cigarettes, and never return,
or I fall in love with another man.
It might be a slow drift into indifference.
Either way, we’ll have to learn
to bear the weight of the eventuality
that we will lose each other to something.
So why not begin now, while your head
rests like a perfect moon in my lap,
and the dogs on the beach are howling?
Why not reach for the seam in this South Indian
night and tear it, just a little, so the falling
can begin? Because later, when we cross
each other on the streets, and are forced
to look away, when we’ve thrown
the disregarded pieces of our togetherness
into bedroom drawers and the smell
of our bodies is disappearing like the sweet
decay of lilies — what will we call it,
when it’s no longer love?

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