Tag: Carpe Diem
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Jane Draycott – A praça

Do outro lado da praça, uma mulher olha para mimde uma janela, a sombra do quarto em que ela estápressionando-a como uma pétala em direção à luz. Ela é linda em seu vestido de linho sem mangas,uma vela impassível na vasta vidraça escura,como minha mãe em um tempo antes de eu a conhecer. Entre nós,…
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Jack Gilbert – Poemas e Elegias para Michiko Nogami: VI – Sozinho

Depois da perda, estar sozinho não significa apenas ausência: o mundo continua oferecendo beleza, prazer e exigência. Jack Gilbert sustenta a tensão entre morte e felicidade, procurando uma forma de viver sem negar nenhuma delas.
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Jack Gilbert – Poemas e Elegias para Michiko Nogami: V – Michiko morta

A morte de Michiko é figurada pelo esforço físico de carregar uma caixa pesada sem jamais colocá-la no chão. O poema transforma o luto em gesto corporal contínuo, feito de exaustão, adaptação e cuidado.
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Javier Salvago – Um pouco mais sábios, um pouco mais cegos

Quando não somos mais jovens, nos convencemosde que o diabo sabe mais por ser mais velhoe admitimos que os anos nos ensinama distinguir a realidade do sonho.Talvez não. Talvez a vida sóse nos mostre uma vez – quando temosolhos para aprecia-la – e depois vamosesquecendo seu rosto e seu segredo. Trad.: Nelson Santander REPUBLICAÇÃO, com…
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Peter Sirr – Uma cartilha saxônica

Uma cartilha saxônica Para além deste afã e deste verso, aguarda-me inesgotável o universo. – Borges Penso então em Borges ficando cego,e no que ele disse sobre a alma.Ele tentava entender por queum homem que perde o mundobusca espadas e monstrose saxões com vozes rudes no Salão de Hidromel1. É que a alma sabe-se imortal,diz ele,…
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Paulo Henriques Britto – de “Fim de Verão”

VII Eis que acabou o tempo dos inícios, tendo durado o exato suficiente pra formação do hábito (ou vício) de habitar não um mísero presente, mas um futuro sempre a exigir rigorosíssimo planejamento, até que se escute a ficha cair: o tempo se esgotou. Chegou o momento de enfim viver conforme o planejado, ou então…
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Paulo Henriques Britto – de “Oito sonetos entrópicos”

I Deixar de ser é coisa natural,como é natural ser. Pensando bem(ou só pensando, seja bem ou mal),o que haverá de natural, porém,em ser o que se é, e não ser, apenas?Não haverá um toque de artifícioimplícito em escamas, pelos, penas,nos ossos que sustentam o edifíciotodo, na fome que impele essa máquinafuriosa e cega, essa…
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Mario Benedetti – Tempo sem Tempo

Preciso de tempo, necessito desse tempoque os outros deixam de ladoporque lhes sobra ou já não sabemo que fazer com eletempoem brancoem rubroem verdemesmo em castanho escuronão me importa a corcândido tempoque eu não posso abrire fecharcomo uma porta tempo para olhar uma árvore, um farolpara caminhar à beira do descansopara pensar que bom que…
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Manuel António Pina – Luz

Talvez que noutro mundo, noutro livro,tu não tenhas morridoe talvez nesse livro não escritonem tu nem eu tenhamos existido e tenham sido outros dois aquelesque a morte separou e um delesescreva agora isto como seacordasse de um sonho que um outro sonhasse (talvez eu),e talvez então tu, eu, esta impressãode estranhidão, de que tudo perdeude…
