Tag: Carpe Diem
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Mary Oliver – Chumbo

Eis uma históriade partir o seu coração.Quer ouvi-la?Neste inverno, os mergulhões pousaram em nossa enseadae morreram, um por um,de nada que conseguíssemos ver.Um amigo me contousobre um na costaque ergueu a cabeça, abriuseu elegante bico e gritouno longo e doce deleite de sua vida,grito que, se você já ouviu,sabe que é uma coisa sagrada,e pelo…
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Francisco Brines – “Collige, virgo, rosas”

Já estás com quem queres. Ri e goza. Ama.E inflama-te na noite que agora se inicia,e entre tantos amigos (e comigo)abre os grandes olhos para a vidacom a avidez preciosa dos teus anos.A noite, longa, há de acabar ao amanhecer,e virão esquadrões de espiões com a luz,apagar-se-ão os astros, e também a lembrança,e a alegria…
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Garcilaso de la Vega – Soneto XXIII

Enquanto que de rosa e de açucenase mostra toda a cor neste teu rosto,enquanto o teu olhar ardente, honesto,acende o coração e o serena; e enquanto o teu cabelo, que das franjasdo ouro se escolheu, com voo presto,sobre o formoso colo branco, ereto,o vento move, espalha e desarranja: colhe de tua alegre primaverao doce fruto,…
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Josep M. Rodríguez – Equação

De pé neste penhasco, aceito a mentira da paisagem. Tudo é inacessível: o orvalho – que é suor vegetal – e o comboio que passa. Uma cegonha voa a preto e branco. Tem o seu ninho no cimo da igreja que fica junto ao cemitério. Estranho paradoxo, a pedra testemunha a fugacidade, a carne é…
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Francisco Brines – Os Prazeres Inferiores

Não desdenhes as paixões vulgaresTens os anos necessários para saberque elas se correspondem exatamente com a vida.Não reduzas sua ação,pois se do breve tempo em que consistesas retiras,é ainda o existir mais imperfeito.Descobre sua verdade por trás da aparência,e assim não haverá falsidade,não poderás fingir que foi razão de vida o que foi só passagem.Mas…
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Caroline Bird – Checkout

Eu penso ‘então, isso é a morte’, e me pergunto por queainda consigo enxergar através dos meus olhos. Um anjose aproxima com um formulário de avaliação perguntandocomo eu classificaria minha vida (muito boa, boa,mediana, ruim, muito ruim) e eu penso em marcar‘mediana’ seguido de um desabafo, mas então me lembrode seu rosto como um baú…
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Joan Margarit – Despedida

Retirei tapetes e cortinas,todas as mesas onde há temposnão como nem escrevo.Removi os quadros e pintei as paredespara apagar os vestígios dos anos.Guardo alguns poucos livros. Sei bem quais.Destruícartas de amor que não me amavam mais.Silenciosos agora, os amoressão icebergs errantes do pensar.A casa, sem recantos para o medo,deixa meus olhos mais desnudos.Nada, nem a…
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Lêdo Ivo – O Dia dos Homens

Viver é preciso.Não existe infernonem paraíso. Apenas o chão.E uma persistentechuva de verão. REPUBLICAÇÃO: poema publicado na página originalmente em 10/08/2018
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Nuno Júdice – Carpe Diem

Confias no incerto amanhã? Entregasàs sombras do acaso a resposta inadiável?Aceitas que a diurna inquietação da almasubstitua o riso claro de um corpoque te exige o prazer? Fogem-te, por entre os dedos,os instantes; e nos lábios dessa que amastemorre um fim de frase, deixando a dúvidadefinitiva. Um nome inútil persegue a tua memória,para que o…
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Samuel Daniel – Soneto XXXVIII (de Delia)

Quando murchar a flor, a glória dessa imagem,e tu sozinha, o rosto cheio de cuidado,no espelho que não mente leres a mensagemde que tua beleza já terá findado:verás vivas as chagas que fizeste em mim,e, extinta a chama tua, eu a guardar-lhe o ardor;que, se antes de fanares eu te amei assim,em teu declínio aumentará…