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Vinicius de Moraes – O poeta Hart Crane suicida-se no mar

Quando mergulhaste na água Não sentiste como é fria Como é fria assim na noite Como é fria, como é fria? E ao teu medo que por certo Te acordou da nostalgia (Essa incrível nostalgia Dos que vivem no deserto…) Que te disse a Poesia? Que te disse a Poesia Quando Vênus que luzia No…
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Carlos Rennó – O Momento

Tem um momento (que de todos é diverso) Em que você se une ao todo, ao universo O tempo então congela (feito lá no pólo) Seu ego some, seu eu ergue-se do solo E sai voando entre as estrelas na amplidão Você se torna uma delas na explosão Dentro de si você vê uma…
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Bill Knott – Morte

Morte Perto de dormir, cruzo as mãos sobre o peito. Colocarão minhas mãos assim. Parecerá que estou a voar para dentro de mim mesmo. Death Going to sleep, I cross my hands on my chest. They will place my hands like this. It will look as though I am flying into myself. Trad.: Antonio Cicero…
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Abel Silva – Navegações

Minha casa está calma, eu é que sou turbulento, o país navega, dizem, eu é que me arrebento eu é que sempre invento toda esta ventania eu é que não me contento com o rumo da romaria não sei se a sorte é cega ou eu que vivo a teimar: sei que eu sou o…
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Hilda Hilst – Roteiro do Silêncio

Não há silêncio bastantePara o meu silêncio.Nas prisões e nos conventosNas igrejas e na noiteNão há silêncio bastantePara o meu silêncio.Os amantes no quarto.Os ratos no muro.A meninaNos longos corredores do colégio.Todos os cães perdidosPelos quais tenho sofrido:O meu silêncio é maiorQue toda solidão.E que todo silêncio.
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Nelson Santander – Que a Terra lhe seja Leve

“Que a terra lhe seja leve”, uma crônica de Nelson Santander
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Carlos Drummond de Andrade – Os Gregorianos

Um amigo que tem consciência exacerbada do tempo confia-me que, depois de certo ponto (ele não usa a palavra idade), a vida já não oferece acontecimentos, e sim comemorações. — Por mais que o sujeito faça, não consegue realmente mover-se. Fica parado diante de formas movediças, como naquele romance do Zé Lins do Rego, que…
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Philip Larkin – Conversar na Cama

Conversar na cama devia ser mais fácil Dois deitados juntos — é desde há muito Um símbolo de duas pessoas sendo francas. Ainda que mais e mais tempo passe em silêncio. Lá fora, a intérmina inquietação do vento Amontoa e dispersa nuvens pelo céu. E cidades escuras se empilham no horizonte. Nada disso se importa…
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Philip Larkin – A Primeira Coisa

A primeira coisa Que entendi foi esta: Tempo é o eco de um machado Dentro da floresta. Trad.: Luiz Roberto Guedes
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Philip Larkin – A Igreja Indo-se…

Quando estou certo de que nada está ocorrendo, Eu entro, e se ouve um baque quando eu solto a porta. Mais uma igreja: bancos, panos, pedra, além dos Livrinhos; as juncadas secas, que se cortam Para o domingo; bronze e objetos a cobrir o Altar; um órgão impecável e pequeno; Silêncio tenso, de bolor, que…