Pedro Salinas – Não Quero que te Vás

Pedro Salinas – Não Quero que te Vás

Não quero que te vás,
dor, última forma
de amar. Sinto-me vivo
quando me dóis,
não em ti, nem aqui,
mais longe: na terra, no ano
de onde tu vens,
no amor com ela
e tudo o que foi.
Nessa realidade
submersa que se nega
a si mesma e insiste
em nunca ter existido,
que foi apenas um pretexto
que encontrei para viver.
Se tu não me restasses,
ó dor irrefutável,
até creria nisso;
mas és o que me resta.
Tua verdade me assegura
que nada foi mentira.
E enquanto eu te sentir,
Tu serás pra mim, dor,
a prova de outra vida
em que não me doías.
A prova indiscutível, ao longe,
De que existiu, que existe,
De que ela me amou,
Sim, de que ainda a amo.

Trad.: Nelson Santander

No quiero que te vayas

No quiero que te vayas
dolor, última forma
de amar. Me estoy sintiendo
vivir cuando me dueles
no en ti, ni aquí, más lejos:
en la tierra, en el año
de donde vienes tú,
en el amor con ella
y todo lo que fue.
En esa realidad
hundida que se niega
a sí misma y se empeña
en que nunca ha existido,
que sólo fue un pretexto
mío para vivir.
Si tú no me quedaras,
dolor, irrefutable,
yo me lo creería;
pero me quedas tú.
Tu verdad me asegura
que nada fue mentira.
Y mientras yo te sienta,
tú me serás, dolor,
la prueba de otra vida
en que no me dolías.
La gran prueba, a lo lejos,
de que existió, que existe,
de que me quiso, sí,
de que aún la estoy queriendo.

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