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Samuel Taylor Coleridge – Kubla Khan

Em Xanadu, um palácio de prazer Comanda-o Kubla Khan como um farol Onde Alph, rio sagrado, vem correr Através de cavernas sem mais ver Ao ser humano até um mar sem sol. Assim, milhas e milhas de bom solo, Cerca de muro e torres polo a polo: E lá jardins luzentes em ribeiros Curvos e…
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Paulo Henriques Britto – Geração Paissandu

Vim, como todo mundo do quarto escuro da infância, mundo de coisas e ânsias indecifráveis, de só desejo e repulsa. Cresci com a pressa de sempre. Fui jovem, com a sede de todos, em tempo de seco fascismo. Por isso não tive pátria, só discos. Amei, como todos pensam. Troquei carícias cegas nos cinemas, li…
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Alberto da Cunha Melo – Lendo Emile Zola

O sol esgota os objetos: não me deixa dizer mais nada. Transforma em plantas os fantasmas que ontem dançavam no quintal. Mostra a burra realidade das coisas, o preço dos sonhos; água laminada levando, em ondas, o último mistério. Tudo foi dito da maneira mais cruel: um micro de sol escreveu em poucos segundos todos…
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Guillaume Apollinaire – A Ponte Mirabeau

Na Ponte Mirabeau, desliza o Sena E nossos amores E a memória acena: Alegria vem sempre após a pena Vem a noite, soa a hora Os dias vão, eu me demoro As mãos nas mãos, fiquemos face a face Enquanto abaixo Pela ponte dos nossos braços, passa. De olhar eterno a onda tão lassa. Vem…
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José Ángel Buesa – Ela Amará a Outro Homem

“Ela amará a outro homem”, poema de José Ángel Buesa Ela amará a outro homem. Eu estarei longe, caminhando para o olvido. E pode ocorrer que alguém lembre meu nome, mas ela fingirá não tê-lo ouvido. (…)
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Adriano Espínola – “Lamas” – Bar e Restaurante

A Horácio Dídimo À noite todos os lépidos são larápios, todos os otários são notórios, todas as lânguidas são lésbicas todas as cópulas são cédulas, todos os lúcidos são trágicos todos os bêbados são sábios.
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Charles Bukowski – Feras Saltando Através do Tempo

Van Gogh escrevendo para seu irmão pedindo tintas Hemingway testando seu rifle Céline fracassando como médico a impossibilidade de ser humano Villon expulso de Paris por ser um ladrão Faulkner bêbado pelas sarjetas da cidade a impossibilidade de ser humano Burroughs assassinando sua mulher com um tiro Mailer apunhalando a sua impossibilidade de ser humano…
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Wislawa Szymborska – As Cartas dos Mortos

Lemos as cartas dos mortos como deuses impotentes, mas deuses assim mesmo, porque conhecemos as datas posteriores. Sabemos quais dívidas não foram pagas. Com quem as viúvas rapidamente se casaram. Pobres mortos, mortos cegos, enganados, falíveis, canhestramente previdentes. Vemos as caretas e os sinais feitos pelas costas. Capturamos o som de testamentos sendo rasgados. Sentados…
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Wislawa Szymborska – Bodas de Ouro

Devem ter sido diferentes um dia, fogo e água, diferindo com veemência, sequestrando e se doando no desejo, no assalto à dessemelhança. Abraçados, apropriaram-se e expropriaram por tanto tempo, que nos braços restou o ar translúcido depois do relâmpago. Um dia a resposta antecipou a pergunta. Uma noite adivinharam a expressão do olhar do outro…
