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Louis MacNeice – A luz do sol sobre o jardim

A luz do sol sobre o jardimEndurece e esmorece,Não podemos enjaular o minutoEm suas malhas de ouro;Quando tudo for dito,Não podemos pedir perdão. Nossa liberdade de soldados a soldoAvança rumo ao seu fim;A terra compele, sobre elaDescem sonetos e pássaros; E em breve, meu amigo,Não teremos tempo para danças. O céu era bom para voar,Desafiando…
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Mary Oliver – Os usos da tristeza

(enquanto dormia, sonhei este poema) Alguém que amei uma vez me deuuma caixa cheia de escuridão. Levei anos para entenderque isto, também, foi uma dádiva. Trad.: Nelson Santander The uses of sorrow (In my sleep I dreamed this poem) Someone I loved once gave mea box full of darkness. It took me years to understandthat…
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Lêdo Ivo – Achamento e duração dos mortos

És o cemitério. Os mortos não jazem debaixo da terra. Não estão ocultos num lençol de relva mas sob tua pele. Tuas veias são ruas onde os mortos passeiam fagueiros, e em férias percorrem, turistas do eterno, os museus do éter. E nas terras velhas de tua memória almas veraneiam. Meu filho, viver é comerciar…
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Jane Hirshfield – Jasmim

Quase o século vinte e um —quão rapidamente o pensamento ficará datado,até mesmo pitoresco? Nossas esperanças, nosso futuro,passarão como as esperanças e futuros dos outros. E todas as nossas ansiedades e terrores,noites de insônia,pesares,se apresentarão então como realmente são — Abelhas delirantes e trôpegas pelo aroma do chá de jasmim. In “The lives of the…
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Seán Hewitt – Fantasma

i. Despertando, quase de manhã, mas aindade um escuro metálico, fechado, no quarto: um som dentro do meu sonho, apenas um lamentono início, que depois se torna humano, um uivoque se eleva na rua do lado de fora, fica sem respostae então se eleva novamente. De cueca, tremendojunto à janela de uma só vidraça, mas…
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Edward Field – Máscara mortuária

Máscara mortuária “A velhice é a mais inesperada de todas as coisas que acontecem a um homem.“ –Leon Trotsky. “Não me falem Da sabedoria dos velhos, mas antes de…
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Carlos Drummond de Andrade – Nudez

Não cantarei amores que não tenho, e, quando tive, nunca celebrei. Não cantarei o riso que não rira e que, se risse, ofertaria a pobres. Minha matéria é o nada. Jamais ousei cantar algo de vida: se o canto sai da boca ensimesmada, é porque a brisa o trouxe, e o leva a brisa, nem…
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David Whyte – Algumas vezes

Algumas vezes,se você se mover cuidadosamentepela floresta,respirandocomo osdas velhas histórias,que podiam atravessarum resplandescente leito de folhassem um som,você chega a um lugar cuja única missão é incomoda-locom ínfimas mas assustadoras exigências,concebidas do nadamas neste lugarque começa a leva-lo para todos os lugares.Exigências para que você pareo que está fazendo agora,e pare o que você está…
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Paul Tran – A caverna

Alguém que estava na abertura teve a ideia de entrar. Ir além do ponto onde a luz ou a linguagem poderiam ir. À medida que ele seguia a ideia, luz e linguagem o acompanhavam como dois lobos — ofegantes, ouvindo o próprio resfolegar. Um aroma informe no ar úmido… Prossiga, disse a ideia. Alguém prosseguiu.…