Categoria: Poesia em Língua Espanhola
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Luis Alberto de Cuenca – Abre todas as Portas

Abre todas as portas, a que conduz ao ouro, a que leva ao poder, a que esconde o mistério do amor; a que oculta o segredo insondável da felicidade, a que a vida te oferta para sempre no gozo de uma visão sublime. Abre todas as portas, sem te mostrares curioso, nem dar importância às…
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Ángel González – Todos vocês parecem felizes…

… e sorriem, às vezes, quando falam. E até dizem uns aos outros palavras de amor. Mas amam-se de dois em dois para odiar de mil em mil. E guardam toneladas de asco por cada milímetro de felicidade. E parecem – nada mais que parecem – felizes, e falam com o fim de ocultar essa…
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César Cantoni – O Tempo Irreparável

Quem, então, poderia imaginar? O certo é que meu pai está morto como se nunca houvesse estado vivo. Um dia gelaram suas mãos e os pés, e a casa se encheu de parentes, e minha mãe chorou, de joelhos, junto ao leito. Ainda lembro. Meu pai está morto ou já não existe, e não é…
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Isabel Bono – O futuro acabará por chegar

desperdiçávamos o tempoorganizando num álbum as fotos do verãopara um dia olhá-las com nostalgia acumulávamos bolinhas de gude pedraslivros cartas poemas adiávamos assim a felicidade, a vida ainda não sei por quêainda não sei para quando Trad.: Nelson Santander El Futuro Acabará por Llegar malgastábamos el tiempo ordenando en un álbum las fotos del verano…
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Jorge Luis Borges – A Chuva

A tarde subitamente clareou Porque já cai a chuva minuciosa. Ou caiu. A chuva é coisa curiosa Que acontece no tempo que passou. Quem a ouve cair já recobrou O tempo em que a fortuna venturosa Revelou-lhe uma flor chamada rosa E a encarnada cor com que se corou. Que esta chuva que já cega…
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César Cantoni – Álbum de Família

Morreu meu pai, morreram meus avós, morreram meus tios de sangue e por afinidade. Uma família inteira de ferreiros, marceneiros, curtidores, pedreiros, jaz agora sem forças embaixo da terra. E eu, o mais inútil de todos, o que não sabe fazer nada com as mãos, logrei sobreviver impunemente para chorar diante de uma foto o…
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Octavio Paz – Antes do Começo

Ruídos confusos, claridade incerta. Outro dia começa. Um quarto em penumbra e dois corpos estendidos. Em minha fronte me perco numa planície vazia. E as horas afiam suas navalhas. Mas a meu lado tu respiras; íntima e longínqua fluis e não te moves. Inacessível se te penso, com os olhos te apalpo, te vejo com…
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Carlos Edmundo de Ory – Dá-me

dá-me algo mais que silêncio ou doçura algo que tenhas e não saibas não quero dádivas raras dá-me uma pedra não fiques imóvel fitando-me como se quisesses dizer que há muitas coisas mudas ocultas no que se diz dá-me algo lento e fino como uma faca nas costas e se nada tens para dar-me dá-me…
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César Cantoni – O mais digno em nós

Eu sempre pensei que os ossos, com seu brilho mineral de pedra polida pela chuva, são o que há de mais digno em nós: sobrevivem largamente à putrefação indecorosa da carne e não têm a malícia nem a maldade da alma. Trad.: Nelson Santander César Cantoni – Lo más digno de nosotros Siempre pensé…
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Mario Benedetti – Angelus

Quem me diria que o destino era isso Vejo a chuva através de letras invertidas Uma parede com manchas que parecem homens Os tetos dos ônibus brilhantes como peixes E essa melancolia que impregna as buzinas Aqui não há céu, Aqui não há horizonte. Há uma mesa grande para todos os braços E uma cadeira…