Luis Cernuda – No Meio da Multidão

Em meio à multidão a vi passar, com seus olhos tão dourados quanto seus cabelos. Caminhava cortando o ar e os corpos; uma mulher se ajoelhou em seu caminho. Senti como o sangue desertava de minhas veias gota a gota.

Vazio, andei sem rumo pela cidade. Gente estranha passava a meu lado sem me ver. Um corpo se derreteu com um leve sussurro quando nele tropecei. Andei mais e mais.

Não sentia meus pés. Quis segura-los com as mãos
e não achei minhas mãos; quis gritar, e não achei minha
voz. A névoa me envolvia.

Pesava-me a vida como um remorso; quis expulsa-la de mim. Mas era impossível, porque estava morto e andava entre os mortos

Trad.: Nelson Santander

Luís Cernuda – En Medio de la Multitud

En medio de la multitud le vi pasar, con sus ojos tan rubios como la cabellera. Marchaba abriendo el aire y los cuerpos; una mujer se arrodilló a su paso. Yo sentí cómo la sangre desertaba mis venas gota a gota.

Vacío, anduve sin rumbo por la ciudad. Gentes extrañas pasaban a mi lado sin verme. Un cuerpo se derritió con leve susurro al tropezarme. Anduve más y más.

No sentía mis pies. Quise cogerlos en mi mano y no hallé mis manos; quise gritar, y no hallé mi voz. La niebla me envolvía.

Me pesaba la vida como un remordimiento; quise arrojarla de mí. Mas era imposible, porque estaba muerto y andaba entre los muertos.

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