Categoria: Poesia em Língua Espanhola
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Miquel Martí i Pol – No ano que vem

No ano que vem já ninguém reparará em nós. Agora somos recém-chegados e fitam-nos com desprezo até mesmo os que andam por cá há quarenta anos e já nada os muda. Temos um ar aturdido e tenaz que faz rir as mulheres e quase nem nos atrevemos a mexer a cabeça por temor a perder…
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César Cantoni – Uma Arte Invisível

O poeta caminha nu pelas ruas, mas ninguém o vê. O poeta vai ao cinema, desvia de putas, anda de ônibus, sempre nu, mas as pessoas olham para outro lado. O poeta não tem meios de chamar a atenção porque a poesia é uma arte invisível. A poesia se escreve sem palavras. Trad.: Nelson Santander…
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Carlos Marzal – Estranha Forma de Vida

A Vicente Gallego Sob a bigorna de fogo que o sol de agosto acende no muro caiado, derretem-se as pétalas de uma sedenta buganvília grená. Que estranha esta beleza moribunda, esta desaforada desnudez grandiosa, esta sílaba breve do milagre. Trad.: Inês Dias Carlos Marzal – Extraña Forma de Vida Bajo el yunque de…
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Amalia Bautista – O Anjo Perplexo

Nunca houve deus, nem virgens, nem santos, nem ídolo que proteja, nem oração que console; nunca houve milagres ou maravilhas, nem a salvação da alma, nem a vida eterna; nem palavras mágicas, nenhum bálsamo eficaz contra a dor que não desaparece nunca; nem luz do outro lado das sombras, nem saída do túnel, nem esperança.…
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Amalia Bautista – Agora

Agora que a estrada que devo percorreré um viaduto por sobre uma rodoviado qual dá medo de olhar, porque o abismoimplacável me chama.Agora que morreu a esperançacomo um pássaro jogado de seu ninhopor irmãos mais fortes.Agora que é noite todo dia,inverno todo anoe as semanas só têm segundas-feiras,para onde olhar, para onde voltar os olhos,que…
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Amalia Bautista – Os meus melhores desejos

Que a vida te pareça suportável.Que a culpa não afogue a esperança.Que não te rendas nunca.Que o caminho que sigas seja sempre escolhidoentre dois pelo menos.Que te interesse a vida tanto como tu a ela.Que não te apanhe o víciode prolongar as despedidas.E que o peso da terra seja levesobre os teus pobres ossos.Que a…
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Amalia Bautista – O que fazes aqui

Pensei que havia-te dito adeus,um adeus definitivo, ao deitar-mequando pude finalmente fechar meus olhose esquecer-me de ti e de tuas artimanhasde tua insistência, de tua baba ruim,da tua capacidade de anular-me.Pensei que havia-te dito adeuspara todo o sempre, e eu acordoe te encontro novamente junto a mim,dentro de mim, me envolvendo, ao meu lado,invadindo-me, sufocando-me,…
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Amalia Bautista – Al Cabo (em duas traduções)

No fim de contas No fim de contas são poucas as palavrasque nos doem de verdade, e muito poucasas que conseguem alegrar a alma.E são também muito poucas as pessoasque nos fazem bater o coração, e menosainda com o correr do tempo.No fim de contas, são pouquíssimas as coisasque na verdade importam nesta vida:poder amar…
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Amalia Bautista – Façamos uma limpeza geral

Leia “Façamos uma limpeza geral”, de Amalia Bautista, um poema delicado e profundo sobre memória, desapego e a coragem de recomeçar.
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Federico García Lorca – E Depois…

Os labirintos que criam o tempo se desvanecem. (Só fica o deserto.) O coração, fonte do desejo, se desvanece. (Só fica o deserto) A ilusão da aurora e os beijos se desvanecem. Só fica o deserto. Um ondulado deserto. Trad.: William Agel de Mello Y después Los laberintosque crea el…