Categoria: Poesia em Língua Espanhola
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Jaime Gil de Biedma – Lembre-se

Bela vida que se foi e parece já não passar Desde então, afundo sonhos na memória: estremece a eternidade do tempo lá no fundo. E de repente um redemoinho cresce e me arrasta sugado para um profundo abismo, para onde vai, despenhado, para sempre dissipando-se o passado. Trad.: Nelson Santander Jaime Gil Biedma – Recuerda…
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Rocío Wittib – Outra vez olhas o mundo…

outra vez olhas o mundo como se fosse tarde demais te perguntas se o tempo é uma resposta e aceitas a dúvida do talvez como consolo aprendeste a renunciar sempre de algo mas sobretudo a desistir de ti mesmo por isso foges do desejo como um animal ferido te refugias na certeza fiel de alguma…
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Fernando Luis Chivite – “Abril é o mês mais cruel”

Às vezes, sem que nada pareça particularmente favorável – nem lúgubres violinos, nem a tarde tornando-se violeta e perigosa – sente-se que a vida segue sendo estranha, e desenvolve senhas inéditas, desordena papéis, acende cigarros com uma inquietude excessiva, como querendo assegurar-se que o tempo não se deterá, que o olvido é só algo fortuito,…
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Rocío Wittib – Imprescindível não é a direção…

imprescindível não é a direção o caminho no mapa a geografia é apenas um acidente para quem se busca e suspeita que distância não significa quilômetros tampouco importa o destino porque nunca se está em um lugar preciso mas constantemente em uma fronteira entre o desespero do ser e o anseio de resistir não há…
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Jorge Teillier – Blue

Verei novos rostos Verei novos dias Serei esquecido Terei remembranças Verei sair o sol quando sai o sol Verei cair a chuva quando chove Andarei a esmo De um lado a outro Aborrecerei meio mundo Contando a mesma história Me sentarei para escrever uma carta Que não me interessa enviar Ou para olhar as crianças…
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Rosa Leveroni i Valls – De “Epigramas e Canções”

Eu levo dentro de mim para fazer-me companhia a solidão apenas. A solidão imensa do amor infinito que queria ser terra, ar e sol, mar e estrela, para que fosses mais meu, para que eu fosse mais tua. Trad.: Nelson Santander Rosa Leveroni i Valls – De “Epigrames i cançons” Jo porto dintre meu per…
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Otto Renê Castillo – Os Amantes

“Os Amantes”, um poema de Otto René Castillo que retrata um encontro breve e uma separação dolorosa, transformando o último beijo dos amantes em metáfora cósmica — um planeta azul cuja luz continua a sustentar suas vidas mesmo na ausência.
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Laia Noguera i Clofent – Sem título

Amo a vida simples, sentar-me à entrada para ver o ir e vir das pessoas, como se move um pardal, como se inclina a tarde nas casas do corpo. Já sei que morrerei muito antes de morrerem as árvores que amo. Mas nada me preocupa, porque no instante em que se me romper o último…
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Nicanor Parra – Composições

I Cuidado, todos mentimos Mas eu proclamo a verdade. A matemática enfada Mas nos dá o de comer. Por outro lado, se escreve Poema para viver Ninguém gosta de assumir Culpa por vidros quebrados. Se escreve contra si mesmo Em virtude dos demais Que indecente é fazer versos! Quando menos se esperar Darei um tiro…
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Aldo Oliva – O Elevador de Hera

Dizem os insetos sensatos e sensíveis que as paredes e os grandes muros são apenas um hausto veemente conjurando o nada, o infinito. Por estes ladrilhos de não-ser ascendem, como habitáculos de fúria, os corpos corrompidos das palavras. Quem me impôs, rasgando minha inocência animal na base da minha profundidade biológica, esta ascensão conjetural? Só…