Categoria: Poesia em Língua Espanhola
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Roger Wolfe – A Última Noite da Terra

O melro de todos os anos voltou a visitar minha casa E, no entanto, permaneço aqui. Sua melodia não muda, já o escrevi antes. Mas o meu trabalho é constatar o óbvio e é isso que o melro faz-me recordar. O tempo passa, as pessoas envelhecem, morrem por sua própria mão ou com ajuda. As…
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Jorge Luis Borges – Sobre nós

Amamos o que não conhecemos, o já perdido. O bairro que foi periferia. Os antigos, que já não podem nos decepcionar porque são mito e esplendor. Os seis volumes de Schopenhauer, que não acabaremos de ler. A lembrança, não a leitura, da segunda parte do Quixote. O Oriente que, sem dúvida, não existe para o…
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José Alcaraz – Volta para Casa

Atravessa as ruasabsorto nos ecos das pessoas,distante até de seus pensamentos.Não chove, não abre o seu guarda-chuva,no entanto, como sempre, molham-senão só seus sapatoscomo a vida também, porque às vezesesquece que o mundo o reclama.Caminha como quem não sabe para onde,em cada passo crê estar sozinho,mais distante das outras pessoas,por isso demora a encontrar as…
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Jorge Luis Borges – As Causas

Todas as gerações e os poentes. Os dias e nenhum foi o primeiro. A frescura da água na garganta De Adão. O ordenado Paraíso. O olho decifrando a maior treva. O amor dos lobos ao raiar da alba. A palavra. O hexâmetro. Os espelhos. A Torre de Babel e a soberba. A lua que os…
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Juan Vicente Piqueras – Véspera de Permanecer

Tudo está preparado: a mala, as camisas, os mapas, a tola esperança. Estou tirando o pó das pálpebras. Já pus na lapela a rosa dos ventos. Tudo está pronto: o mar, o ar, o atlas. Só me falta o quando, o onde, um diário de bordo, cartas de navegação, ventos propícios, coragem e alguém que…
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Felipe Benítez Reyes – Aniversário

Outro ano que se vai. Os muitos que se foram deixaram-nos um verbo repetido com significados diferentes e o mapa de um tesouro que não está em nenhum mapa, conversas amenas e o silêncio, e luzes que se apagam e sombras que se acendem e o penar de alma em luto pela alma do que…
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Jaime Gil de Biedma – Lembre-se

Bela vida que se foi e parece já não passar Desde então, afundo sonhos na memória: estremece a eternidade do tempo lá no fundo. E de repente um redemoinho cresce e me arrasta sugado para um profundo abismo, para onde vai, despenhado, para sempre dissipando-se o passado. Trad.: Nelson Santander Jaime Gil Biedma – Recuerda…
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Rocío Wittib – Outra vez olhas o mundo…

outra vez olhas o mundo como se fosse tarde demais te perguntas se o tempo é uma resposta e aceitas a dúvida do talvez como consolo aprendeste a renunciar sempre de algo mas sobretudo a desistir de ti mesmo por isso foges do desejo como um animal ferido te refugias na certeza fiel de alguma…
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Fernando Luis Chivite – “Abril é o mês mais cruel”

Às vezes, sem que nada pareça particularmente favorável – nem lúgubres violinos, nem a tarde tornando-se violeta e perigosa – sente-se que a vida segue sendo estranha, e desenvolve senhas inéditas, desordena papéis, acende cigarros com uma inquietude excessiva, como querendo assegurar-se que o tempo não se deterá, que o olvido é só algo fortuito,…
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Rocío Wittib – Imprescindível não é a direção…

imprescindível não é a direção o caminho no mapa a geografia é apenas um acidente para quem se busca e suspeita que distância não significa quilômetros tampouco importa o destino porque nunca se está em um lugar preciso mas constantemente em uma fronteira entre o desespero do ser e o anseio de resistir não há…