Categoria: Poesia em Língua Espanhola
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Jorge Valdés Díaz-Vélez – A outra rosa

Ela beijou na rosa(seu nome era um aguilhãofeminino e brutal)a imagem de outra rosa gravada em uma lousade mármore, cristalina.A luz era mais finae, ao tato, tão airosa quanto a flor que ardiasem pausa em sua memória.Em outro meio-dia, a rosa era ilusóriapromessa repartida;e o beijo, a outra vida. Trad.: Nelson Santander La otra rosa…
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Juan Vicente Piqueras – Museu da Acrópole

Uma mão de mármore, mas apenas os dedos,sobre um ombro de mármore sem cabeça. Um braço erodido que ninguém estende a ninguém. Um cavalo sem patas. Um cavaleiro que é apenas suas coxas. Dionísio aos pedaços, recomposto. Um touro sem chifres que está sendo devoradopor um leão que lá não está,apenas suas garras. Admiramos o…
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Javier Salvago – Canção do Esquecimento

A cor dos olhos daquele amor juvenil.O calor do primeiro beijo, que não consigorecordar, embora saiba que deve ter sidoinesquecível. Tantos colegas e amigosda escola ou de farra, que um dia foram íntimos.O latim. Tantos nomes de montanhas e rios.Tantas duras lições. Tantos e tantos livros, com paixão devorados, sempre abertos, lidose esquecidos, assim como…
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Joan Margarit – Manhã no cemitério de Montjuïc

Fui à colina dos túmulos:lá cheguei cruzando o ermoda Can Tunis, coberto de seringase de plásticos pardacentos, onde tremem, errantes,as estátuas de trapo dos drogados.Corre o boato de que a Prefeiturairá destruí-lo, cobrindo de concretoos terrenos com mato em frente à enorme grade do cemitério, erguida de frente para o mar.Que má companhia será para…
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Joan Margarit – Nada engrandece um velho

Nem essa violência com a qual desejoter sempre razão.Nem tampouco crer que a felicidadetem uma relação, sutil, com a mentira.Nem chegar a tero coração tão sujo como o meu,apesar de ter sido a guerra que o sujou.Minha paz deve ser uma falsa paz.Tampouco não abjurar a luxúriae a vaidade.Como podemos ser vaidosos, os velhos? Essa…
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Javier Salvago – Variações sobre um velho tema

Os violinos de Verlaine. Os sonhados caminhos da tarde, de don Antonio.* Um velho cheiro de campo. Um velho cheiro de lápis e cadernos. O céu cinzento. O vento entre as árvores. A carícia das primeiras chuvas. A tristeza sem causa. A solidão sonora. A noite, cada vez mais escura e prolongada. Um cigarro que,…
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Jorge Valdés Díaz-Vélez – Ex libris

Eu reli novamente aqueles versosque falavam de amor e que lemosna noite em que ardeu Troia e nos perdemosno fundo de seus negros universos. Ouvi em cada folha os maciosrelevos de tua pele em que achamoshaver bebido ao sol em seus racemose ao mar que refletia em seus cicios fartos nossa ascensão ao precipício.Fareja-se a…
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Francisco Brines – Ardemos na floresta

Mas como conhecer, sem o olhar,a beleza da floresta, a grandeza do mar? A floresta estava atrás de mim; meus ouvidosa conheciam: o farfalhar de suas folhas,a confusão do canto de seus pássaros.Sons que vinham de um remoto lugar.E o mar do outro lado, golpeandosua fronte, sem roça-la,cobrindo-a de gotas. Era minha peleque descobria seu…
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Juan Vicente Piqueras – Proposta de epitáfio

“Proposta de epitáfio”, um poema de Juan Vicente Piqueras Quando criança, eu era imortal. Adolescente, me rebelei contra o que agora sou. Quando jovem, eu era selvagem. Fiz sofrer e sofri muito mais do que eu queria.
