Categoria: Poesia em Língua Espanhola
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Joan Margarit – Enquanto tu dormes

Na praça tomada pela chuvaobservo a alta janela iluminadaque não quero perder: não hei de render-meà condenação da vida.Este lugar não mais pertence à cidade:uma praça vazia com a luzdo hospital refletindo nas poças.As portas automáticasse abrem de vez em quando e dão lugara uma obscura figura corriqueira.Muletas cruzam, invisíveis, a ruae se aproximam de…
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Pere Rovira – Oração para J. M. R.

Música do amor, que te escondesem lugares escuros, doces, como rosas do jazz,ilumina o dia azul, espalha-te sob os pinheirose faz brilhar as flores, as paredes e a terra.Sê aquela água secreta que esperávamos,e, por um momento, devolve-nosa eterna criança que hoje abandonamosem poços invisíveis.Um pouco de um instante, para que nos ajudea não chorar…
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Joan Margarit – Joana (Prólogo)

PRÓLOGO Do que sinto sobre o amanhã, o que mais se parece com uma certeza é que Joana e eu nunca mais voltaremos a nos ver. Quão diferente seria a vida se a morte fosse esperar muitos milhões de anos para podermos nos encontrar novamente, ainda que só por alguns breves instantes. Mas o abismo…
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Nelson Santander – Apresentação de “Joana”, de Joan Margarit

Em 16 de fevereiro deste ano, falecia, aos 82 anos de idade, vítima de um câncer, Juan Margarit I Consarnau, o grande poeta, arquiteto e catedrático catalão (foi professor da disciplina Cálculos Estruturais da Escola Superior de Arquitetura de Barcelona, de 1964 até sua aposentadoria, em 1998), vencedor do Prêmio Miguel de Cervantes (2019), dentre…
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Francisco Brines – Últimos dias

Na herdade ele confina a memóriae o corpo que declina. Tudo morresobre este mundo vivo; e a laranjeira,e o voo do pombo, são traspassadospor um raio outonal de azul.Acompanham-lhe os livros; as caminhadastrazem até ele o odor de rosas abertas,e o suave abatimento dos dias.Ele ardeu na solidão, e agora escutaa primavera viva dos melros.Dias…
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Joan Margarit – Faróis na noite

Tento seduzir-te no passado.As mãos ao volante e esta luzde boate no painel me permitem– fantasia invernal – dançar contigo.Atrás de mim, como um grande caminhão,o amanhã fabrica explosões de luzes.Ninguém o conduz e ele me ultrapassa,mas agora tu e eu viajamos juntose a carruagem pode ser a dos cavalosdos anos sessenta para Paris.“Je ne…
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Francisco Brines – Discurso pagão

Achais, por acaso, que por crerdesna imortalidadeela vos deve ser dada?Ela é obra da fé, do egoísmoou da desolação.E, se existe, não importa não haverdes nela acreditado:respostas ignorantes são todas humanasse a morte interroga. Continuai com vossos faustosos ritos, oferendas aos deuses,ou grandes monumentos funerários,as acolhedoras preces, vossa esperança cega.Ou aceitai o vazio que virá,onde…
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Jorge Valdés Díaz-Vélez – A última vez de Casanova

Giacomo se envolve no crepúsculo do Florian Perguntas-me, Lesbia, quantos dos teus beijosseriam suficientes para me satisfazer.Catulo Enquanto beijo tua boca, docedonzela na conquista, mordoas comissuras de tua mãee os lábios que tuas irmãscedem ao peso do desejo;beijo as próximas mulheresdistantes e ainda desconhecidaspor minha cobiça, aquelasque um dia serão tu em outratu, que agora…
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Javier Salvago – Outra idade

Já passou a idade de ser poetaporque tudo passa, é a lei da vida;embora eu continue, por dependência ou vício, falando a um pedaço de papel, a poesiajá não é mais minha pátria, nem meu território.Só regresso às vezes, de visita, como quem volta para onde foi feliz. Trad.: Nelson Santander Otra edad Se me…
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Juan Vicente Piqueras – A praga de Tebas

A praga de Tebas E o que quer que eu faça se torna para sempre o que eu fiz.Wisława Szymborska Quando a tragédia começouo crime já havia sido cometido.A tragédia era, agora, descobrir o delitoe o culpado. Eu teria preferido a ignorância.Tu optaste por indagar contra ti. O passado é mais forteque Deus. Ninguém, nem…