Categoria: Poesia em Língua Espanhola
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Joan Margarit – Riera Pahissa

RIERA PAHISSA […] why abandon a belief merely because it ceases to be true?ROBERT FROST Deixava-te na entrada da escola,em frente ao estreito portão daquele muro que, encerrando a horta de um convento,seguia o leito seco de um riacho.Por uma pequena ponte de ferro com tábuascruzava-se a ravina sobre o brilhode algumas poucas poças como…
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Joan Margarit – Não há milagres

Chovia preguiçosamente.Dezenove de outubro, nove da noite.Joana foi assustada para a sala de cirurgiaem nossa companhia.Quando entrou, ficamos esperandona sala mal iluminada ao lado dos elevadores.Contam que, em uma tentativade se salvar, ela disse um eu te amo ao cirurgião.Acreditávamos que uma fada poderia nos devolverJoana, calma, como sempre,com seus confiantes olhos cintilantes.Às onze, observamosas…
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Joan Margarit – Enquanto tu dormes

Na praça tomada pela chuvaobservo a alta janela iluminadaque não quero perder: não hei de render-meà condenação da vida.Este lugar não mais pertence à cidade:uma praça vazia com a luzdo hospital refletindo nas poças.As portas automáticasse abrem de vez em quando e dão lugara uma obscura figura corriqueira.Muletas cruzam, invisíveis, a ruae se aproximam de…
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Pere Rovira – Oração para J. M. R.

Música do amor, que te escondesem lugares escuros, doces, como rosas do jazz,ilumina o dia azul, espalha-te sob os pinheirose faz brilhar as flores, as paredes e a terra.Sê aquela água secreta que esperávamos,e, por um momento, devolve-nosa eterna criança que hoje abandonamosem poços invisíveis.Um pouco de um instante, para que nos ajudea não chorar…
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Joan Margarit – Joana (Prólogo)

PRÓLOGO Do que sinto sobre o amanhã, o que mais se parece com uma certeza é que Joana e eu nunca mais voltaremos a nos ver. Quão diferente seria a vida se a morte fosse esperar muitos milhões de anos para podermos nos encontrar novamente, ainda que só por alguns breves instantes. Mas o abismo…
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Nelson Santander – Apresentação de “Joana”, de Joan Margarit

Em 16 de fevereiro deste ano, falecia, aos 82 anos de idade, vítima de um câncer, Juan Margarit I Consarnau, o grande poeta, arquiteto e catedrático catalão (foi professor da disciplina Cálculos Estruturais da Escola Superior de Arquitetura de Barcelona, de 1964 até sua aposentadoria, em 1998), vencedor do Prêmio Miguel de Cervantes (2019), dentre…
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Francisco Brines – Últimos dias

Na herdade ele confina a memóriae o corpo que declina. Tudo morresobre este mundo vivo; e a laranjeira,e o voo do pombo, são traspassadospor um raio outonal de azul.Acompanham-lhe os livros; as caminhadastrazem até ele o odor de rosas abertas,e o suave abatimento dos dias.Ele ardeu na solidão, e agora escutaa primavera viva dos melros.Dias…
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Joan Margarit – Faróis na noite

Tento seduzir-te no passado.As mãos ao volante e esta luzde boate no painel me permitem– fantasia invernal – dançar contigo.Atrás de mim, como um grande caminhão,o amanhã fabrica explosões de luzes.Ninguém o conduz e ele me ultrapassa,mas agora tu e eu viajamos juntose a carruagem pode ser a dos cavalosdos anos sessenta para Paris.“Je ne…
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Francisco Brines – Discurso pagão

Achais, por acaso, que por crerdesna imortalidadeela vos deve ser dada?Ela é obra da fé, do egoísmoou da desolação.E, se existe, não importa não haverdes nela acreditado:respostas ignorantes são todas humanasse a morte interroga. Continuai com vossos faustosos ritos, oferendas aos deuses,ou grandes monumentos funerários,as acolhedoras preces, vossa esperança cega.Ou aceitai o vazio que virá,onde…
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Jorge Valdés Díaz-Vélez – A última vez de Casanova

Giacomo se envolve no crepúsculo do Florian Perguntas-me, Lesbia, quantos dos teus beijosseriam suficientes para me satisfazer.Catulo Enquanto beijo tua boca, docedonzela na conquista, mordoas comissuras de tua mãee os lábios que tuas irmãscedem ao peso do desejo;beijo as próximas mulheresdistantes e ainda desconhecidaspor minha cobiça, aquelasque um dia serão tu em outratu, que agora…