Categoria: Poesia em Língua Espanhola
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Juan Vicente Piqueras – Sai de ti

Sai de Ti(ou coleção de imperativos primavera-verão para o outono de teu desconcerto) Não fujas do que sentes. Não te escondasno que dizes. Não digas mentiras.Sê tua voz. Faz. Trabalha. Não te queixes.Não sofras por medo de sofrer mais.Não mendigues jamais o que mereces.Por exemplo, o amor. Fá-lo e o terás.Funda no fogo firme de…
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Jorge Luis Borges – Limites

Há uma linha de Verlaine que não voltarei a recordar,Há uma rua próxima que está vedada a meus passos,Há um espelho que me viu pela última vez,Há uma porta que fechei até o fim do mundo.Entre os livros de minha biblioteca (estou vendo-os)Há algum que já nunca abrirei.Este verão cumprirei cinqüenta anos:A morte me desgasta,…
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Jorge Valdés Díaz-Vélez – Polaroide

Polaroide para Eugenio Montejo São sete contra a parede, em pé, e um sentado.Mal conservam os traços desbotados pelos anos. Os rostos resistem ao desgaste,embora já não possuam as cores vivasque ontem os distinguiram. Entre livros e taças,os olhares sorridentes, as mãos dadascelebrando a vida na prata e gelatina*se apagam na sépia de sua jovem…
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Pedro Salinas – Não Te Vejo

Não te vejo. Bem seique estás aqui, atrásde uma frágil paredede ladrilhos e cal, bem ao alcanceda minha voz, se chamasse.Mas não chamarei.Chamarei amanhã,quando, ao não te ver maisimagine que continuasaqui perto, ao meu lado,e que basta hoje a vozque ontem eu não quis dar.Amanhã… quando estivereslá atrás de umafrágil parede de ventos,de céus e…
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Anabel Torres – Quando meu corpo e minha cabeça

Quando meu corpo e minha cabeçacomeçaram a arder e a provocar incêndios,minha mãe, como bombeiro enlouquecido,me perseguia por toda a casa. Apontava contra mim, implacávelo poderoso jorro de seu medoe tratava de me enterrar. Assim cresci. Meu pai era diferente. Defendia diante de mim, por igual, e com igual veemência e convicçãoas vantagens do gelo…
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Joana, de Joan Margarit

Há livros que não devem ser lidos às pressas. Joana, de Joan Margarit, é um deles. Esta página reúne, no Singularidade Poética, a tradução da obra publicada em sequência. Mais do que um conjunto de poemas, Joana é um livro: tem uma respiração própria, uma ordem interna, uma dor que retorna em imagens, vozes, lugares…
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Joan Margarit – No fundo da noite

O ar está gelado.Até o rouxinol guarda silêncio.Com a testa apoiada na vidraçapeço perdão às minhas duas filhas mortas,porque já quase nunca penso nelas.O tempo foi deixando sobre a cicatrizsua argila poeirenta, e ocorre que, mesmoquando se ama alguém, sobrevém o esquecimento.A luz tem a mesma dureza das gotasque, com o degelo, vão caindo do…
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Joan Margarit – Um lugar perdido

UM LUGAR PERDIDOIn memoriamMarta Ribalta i Taltavull (17-VIII-1946, 11-V-1999)Joana Margarit i Ribalta (20-VIII-1970, 2-VI-2001) Reluz o sol do conto de fadasque para Marta foi esta casapequena e luminosa em frente aos campos.Ninguém tocou em um único troncoda lenha cortada e ordenada.Joana fez um desenho para elaonde lhe dizia: Que sejas muito feliz.Quando Joana tinha dois anos…
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Joan Margarit – A espera

Muitas coisas estão sentindo a tua falta.Cada dia é repleto de momentos que esperamaquelas pequenas mãosque seguraram as minhas tantas vezes.Teremos de nos habituar à tua ausência.Um verão já passou sem teus olhose o mar também terá que se acostumar.Por muito tempo ainda,a rua esperará diante de nossa porta,pacientemente, pelos teus passos.Não se cansará nunca…
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Joan Margarit – Lápide

LÁPIDEANNA, 1967; JOANA, 1970-2001 Nossa memória guarda vossos nomesem uma pequena praia que jamaisfigurará nos mapas dos navios.Quão próximas estais aqui, uma da outra,minhas filhas, depois de tanto tempo.Tão unidas agora, atrás de vossos nomes,que olham para o mare que o sol lê a cada amanhecer. Trad.: Nelson Santander LÁPIDAANNA, 1967; JOANA, 1970-2001 Nuestra memoria…