Categoria: Poesia em Língua Espanhola
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Jaime Gil de Biedma – Não Voltarei a ser Jovem

Que é certo a vida passasó se começa a compreender mais tarde— como todos os jovens, decidilevar a minha vida por diante. Deixar marca eu queriae partir entre aplausos— envelhecer, morrer, eram somenteas dimensões do teatro. Porém, passou o tempoe a verdade mais amarga assoma:envelhecer, morrer,é o argumento único da obra. Trad.: José Bento REPUBLICAÇÃO:…
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Joan Margarit – Coisas em comum

Ter-nos conhecidoem um outono num trem que ia vazio;A radiante, embora cruel,promessa do desejo.A cicatriz da melancoliae o velho afeto com o qual compreendemosos motivos do lobo.A lua que acompanha o trem noturnoBarcelona-Paris.Uma faca de luz para os crimesque por amor devemos cometer.Nossa maldita e inocente sorte.A voz do mar, que sempre te diráonde estou,…
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Octavio Paz – Pedra de sol

Pedra de sol La treizième revient… c’est encor la première;et c’est toujours la seule – ou c’est le seul moment;car es-tu reine, ô toi, la première ou dernière?es-tu roi, toi le seul ou le dernier amant? GÉRARD DE NERVAL, Arthémis. Um salgueiro de cristal, um choupo de água,um alto repuxo que o vento arqueja,uma árvore…
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Joan Margarit – Ser velho

Entre as sombras dos galose dos cachorros dos pátios e curraisde Sanaüja, abre-se um buracoque se enche de tempo perdido e chuva sujaenquanto as crianças caminham para a morte.Ser velho é uma espécie de pós-guerra.Sentados à mesa da cozinha,limpando as lentilhasao anoitecer do braseiro,vejo os que me amaram.Tão pobres que no fim daquela guerrativeram que…
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Juan Vicente Piqueras – Sai de ti

Sai de Ti(ou coleção de imperativos primavera-verão para o outono de teu desconcerto) Não fujas do que sentes. Não te escondasno que dizes. Não digas mentiras.Sê tua voz. Faz. Trabalha. Não te queixes.Não sofras por medo de sofrer mais.Não mendigues jamais o que mereces.Por exemplo, o amor. Fá-lo e o terás.Funda no fogo firme de…
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Jorge Luis Borges – Limites

Há uma linha de Verlaine que não voltarei a recordar,Há uma rua próxima que está vedada a meus passos,Há um espelho que me viu pela última vez,Há uma porta que fechei até o fim do mundo.Entre os livros de minha biblioteca (estou vendo-os)Há algum que já nunca abrirei.Este verão cumprirei cinqüenta anos:A morte me desgasta,…
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Jorge Valdés Díaz-Vélez – Polaroide

Polaroide para Eugenio Montejo São sete contra a parede, em pé, e um sentado.Mal conservam os traços desbotados pelos anos. Os rostos resistem ao desgaste,embora já não possuam as cores vivasque ontem os distinguiram. Entre livros e taças,os olhares sorridentes, as mãos dadascelebrando a vida na prata e gelatina*se apagam na sépia de sua jovem…
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Pedro Salinas – Não Te Vejo

Não te vejo. Bem seique estás aqui, atrásde uma frágil paredede ladrilhos e cal, bem ao alcanceda minha voz, se chamasse.Mas não chamarei.Chamarei amanhã,quando, ao não te ver maisimagine que continuasaqui perto, ao meu lado,e que basta hoje a vozque ontem eu não quis dar.Amanhã… quando estivereslá atrás de umafrágil parede de ventos,de céus e…
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Anabel Torres – Quando meu corpo e minha cabeça

Quando meu corpo e minha cabeçacomeçaram a arder e a provocar incêndios,minha mãe, como bombeiro enlouquecido,me perseguia por toda a casa. Apontava contra mim, implacávelo poderoso jorro de seu medoe tratava de me enterrar. Assim cresci. Meu pai era diferente. Defendia diante de mim, por igual, e com igual veemência e convicçãoas vantagens do gelo…
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Joana, de Joan Margarit

Há livros que não devem ser lidos às pressas. Joana, de Joan Margarit, é um deles. Esta página reúne, no Singularidade Poética, a tradução da obra publicada em sequência. Mais do que um conjunto de poemas, Joana é um livro: tem uma respiração própria, uma ordem interna, uma dor que retorna em imagens, vozes, lugares…