Categoria: Poesia em Língua Espanhola
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Joan Margarit – Teu lobo

Mira-o antes de ir-tee dize-lhe adeus: ele foipreso outras vezessem jamais se render.Contempla-o, amarradono pátio nevado:a corrente lhe roçao pescoço, já sem pelos,do qual pendem aindacordas gastas,as que outrora ele partiuem outros cativeiros. Ele dorme quaseo tempo todo.Tem manchas escurascomo de quando caio reboco de uma parede.Infestado de pulgas,na rosada línguaque pende avidamentehá pretas estriasdeixadas…
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Joan Margarit – O dia depois da morte

Hoje te vi e levavas tuas muletas azuis,feliz como sempre e protegidapor aquele jovem pai entre as tensascordas do enorme violoncelo da chuva.Jamais tu e eu lembraremosde termos sido pai e filhaneste mesmo pátio, onde o loureiromolhado balança ao anoitecer. Trad.: Nelson Santander EL DÍA DESPUÉS DE LA MUERTE Hoy te he visto y llevabas…
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Joan Margarit – Um pobre instante

A morte nada mais é do que isto: o quarto,a luminosa tarde na janela,e este toca-fitas na mesinha– tão silencioso como o teu coração –com todas as tuas canções tocadas para sempre.Teu último suspiro segue dentro de mimainda em suspenso: não deixo que acabe.Sabes qual é, Joana, o próximo concerto?Ouves como brincam as crianças no…
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Joan Margarit – Última caminhada

Já não comia. Caíam meus cabelos.Ficava o dia todo de olhos fechados.Mas saí para a varanda de madrugadae alguém da calçada, sob uma árvore,falou-me com uma voz como a de minha mãe,que dormia em sua cama ao lado da minha.De repente, não estava mais cansadae desci sem muletas até a rua.Nunca fora capaz de andar…
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Joan Margarit – Mari

Ela te acompanhou por muito tempo,todas as tardes, na natação e na escola.Foi tua amiga e também a confidentedaquela dolorosa adolescênciade lua de hospital e das tardes azuisda lenta juventude. Foi a tua Mari,as últimas visitas, quando teus olhospesavam-te interiormente como a morteque apagou todo o brilho por trás das friasvidraças embaçadas de passado.Tu e…
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Joan Margarit – Súplica

Desta manhã invernal, morna e aprazível,por favor, não te vás.Fica submersa neste pátiocomo se houvesses naufragadodentro de nossa vida.Sob o loureiro, entre as aspidistrasde folhas românticas, verdes e largas,por favor, não te vás, não te vás. Tudo está preparado para ti.Fica, por favor, e não te vás.Diz-me se te lembras: preciso dealgumas palavras com a…
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Joan Margarit – Pilhagem

Hoje és outra.A morte, como um vento do deserto,sopra e abandona teu rostoressecado pela morfina.Passa uma andorinha com seu rápido vooe reluz ao cruzar a luz laranjada janela aberta de teu quarto.Talvez com teu voo também cheguesao claro terraço onde tua voz risonhaprateava o crepúsculo. Foste-te e só restaum corpo que uma pilhagem devastoue que…
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Joan Margarit – Mãe e filha

Hoje tuas mãos são todo o passado dela:há trinta anos de amor no fundo de tuas palmas.Velaste-a durante toda a noite:deitas-te na cama ao lado dela,teu peito quente contra suas costas,seus cansados cabelos em teu rosto.Tu a abraças murmurando em seu ouvidoe, enquanto isso, a acaricias.São as últimas noites, e sentes o calorde seu esgotado…
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Joan Margarit – Água

Poderíamos falar da água ou da menina,porque a água e a menina permanecemjuntas na minha memória.A menina é a água, é a liberdadede um dorso que tem,sob a pele, a rigidez de um tirante.A ternura da água salvou suas pernas débeis:vejo novamente o azul das piscinasna temperatura de sua alma,tão distantes agora nos invernosque se…
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Joan Margarit – História natural

Meu trato com a morte.Ouço-a colidir como uma moscana luz da vidraça, e posso vê-laascender ao céu vespertinoem seu sereno anil. Encontro como médico durante a protocolarvisita noturna.Não quero falar e concordo com tudo o que ele diz.Somos parte do fundo escurode uma pintura em que surgea janela iluminada deste quartoonde nossa Joana está chegando…