Joan Margarit – Amar é onde

Sentado em um trem olho a paisagem
e de repente, fugaz, passa um vinhedo
como o relâmpago de uma verdade.
Seria um erro descer do trem
porque então a vinha já não haveria.
Amar é onde, algo sempre o evoca:
um telhado ao longe, o palco desprovido
(no chão, uma rosa) de um maestro,
os músicos que hoje tocam sozinhos.
Teu quarto ao amanhecer.
E, naturalmente, os pássaros que cantam
naquele cemitério em uma manhã de junho.
Amar é um lugar.
Sobrevive na parte mais profunda: é de onde viemos.
E também o lugar onde perdura a vida.

Trad.: Nelson Santander

Amar es Dónde

Sentado en un tren miro el paisaje
y de pronto, fugaz, pasa un viñedo
como el relámpago de una verdad.
Sería un error bajar del tren
porque entonces la viña desaparecería.
Amar es dónde, algo lo evoca siempre:
un terrado a lo lejos, la tarima vacía
(en el suelo una rosa) de un director de orquesta,
los músicos que hoy están tocando solos.
Tu habitación al clarear el día.
Y, claro está, los pájaros que cantan
en aquel cementerio una mañana de junio.
Amar es un lugar.
Perdura en lo más hondo: es de dónde venimos.
Y también el lugar donde queda la vida.

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