Categoria: Poema
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Carolyn Creedon – Mulher, minada

Na seção de cosméticos da Lord & Tayloreles a pegarão ali mesmo, bem à vista de todos, às claras, e a fotografarão com uma câmera ultravioleta,mostrando-lhe o que você fez com sua pele apenaspor viver, seu rosto subitamente exposto, como aquilo querealmente está acontecendo sob uma tora levantada, a verdadeira vocêque você é, capturada e…
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Darcy Ribeiro – Amor

“Amor”, um poema de Darcy Ribeiro que assume a paixão como força carnal absoluta, onde dois corpos se afirmam contra o mundo na vertigem do desejo.
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Donizete Galvão – Ruminações

Nunca saí dessa roceira Minasque nos dá aflição e dor como herança.Lamaçal de bosta de vacano curral bem em frente da casa.Cheiro de leite azedo nos latõese de óleo queimado para expulsar bernes.Jardins de dália e corações magoados,chás de consolda e escaldados de quirera.A avó socando o arroz no pilão,preparando decoada para o sabãoou com…
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Ferreira Gullar – de Sete Poemas Portugueses (4)

Nada vos ofertoalém destas mortesde que me alimento Caminhos não háMas os pés na gramaos inventarão Aqui se iniciauma viagem clarapara a encantação Fonte, flor em fogo,quem é que nos esperapor detrás da noite ? Nada vos sovino:com a minha incertezavos ilumino REPUBLICAÇÃO: poema publicado no blog originalmente em 23/04/2016
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Ellen Bass – Pinheiros de Ponary

Pinheiros de Ponary Cem mil pessoas foram assassinadas pelos nazistas em Ponary, dez quilômetros a sudoeste de Vilnius, onde minha avó nasceu. Hoje está cinzento, garoa,mas não o suficiente para que as gotas se acumulemnas pontas das agulhas de prataou para encharcar as cascas dos pinheiros de Ponary –alguns deles com mais de um século.Eles…
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Anne Sexton – A um amigo cuja obra alcançou o triunfo

Considere Ícaro, colando aquelas asas pegajosas,testando aquele estranho puxãozinho na omoplata,e pense naquele primeiro momento perfeito sobre o gramadodo labirinto. Pense na diferença que isso fez!Lá embaixo estão as árvores, desengonçadas como camelos;e aqui os estupefatos estorninhos passam batendo as asas,e pense no inocente Ícaro, que está indo muito bem:maior que uma vela, sobre a…
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Cassiano Ricardo – O Relógio

Diante de coisa tão doídaconservemo-nos serenos. Cada minuto de vidanunca é mais, é sempre menos. Ser é apenas uma faceDo não ser, e não do ser. Desde o instante em que se nascejá se começa a morrer. REPUBLICAÇÃO: poema publicado no blog originalmente em 17/04/2016
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Octavio Paz – Pedra de sol

Pedra de sol La treizième revient… c’est encor la première;et c’est toujours la seule – ou c’est le seul moment;car es-tu reine, ô toi, la première ou dernière?es-tu roi, toi le seul ou le dernier amant? GÉRARD DE NERVAL, Arthémis. Um salgueiro de cristal, um choupo de água,um alto repuxo que o vento arqueja,uma árvore…
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Miller Williams – Um poema para Emily

Fatos e dedos pequenos e o mais distante de minha vezna terra, a um palmo e duas gerações de mim afastada,neste ainda presente eu tenho cinquenta e três.Você, nem vinte e quatro horas completadas. Quando eu tiver sessenta e três, e você, dez completos,e você não estiver nem longe nem perto de mimseus braços se…
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Carlos Drummond de Andrade – A um Ausente

Tenho razão de sentir saudade,tenho razão de te acusar.Houve um pacto implícito que rompestee sem te despedires foste embora.Detonaste o pacto.Detonaste a vida geral, a comum aquiescênciade viver e explorar os rumos de obscuridadesem prazo sem consulta sem provocaçãoaté o limite das folhas caídas na hora de cair. Antecipaste a hora.Teu ponteiro enlouqueceu, enlouquecendo nossas…