Categoria: Poema
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Andrea Cohen – Recusa em lamentar

Em vez de flores, mande- o de volta.Trad.: Nelson Santander Refusal to Mourn In lieu of flowers, send him back.
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Joan Margarit – Coisas em comum

Ter-nos conhecidoem um outono num trem que ia vazio;A radiante, embora cruel,promessa do desejo.A cicatriz da melancoliae o velho afeto com o qual compreendemosos motivos do lobo.A lua que acompanha o trem noturnoBarcelona-Paris.Uma faca de luz para os crimesque por amor devemos cometer.Nossa maldita e inocente sorte.A voz do mar, que sempre te diráonde estou,…
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Nickole Brown – Susto

Deixe-me dizer — nenhum animal de longe é o mesmoque de perto. Quero dizer, uma baleia numa revista podeparecer majestosa e livre, mas o que você não vê écomo ela adormece perto demais da superfície,como a luz lhe empola a pele até deixá-la tão em carne vivaque as gaivotas rasgam sua pele queimada de sol,…
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Lêdo Ivo – A Queimada

Queime tudo o que puder:as cartas de amoras contas telefônicaso rol de roupas sujasas escrituras e certidõesas inconfidências dos confrades ressentidosa confissão interrompidao poema erótico que ratifica a impotênciae anuncia a arterioscleroseos recortes antigos e as fotografias amareladas.Não deixe aos herdeiros esfaimadosnenhuma herança de papel. Seja como os lobos: more num covile só mostre à…
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Victoria Kennefick – Depoimento

Eu te amo como as ondas amam os penhascos.Elas lançam saias de rendas contra os rochedos,pernadas de dançarinas do can-can escalam até o topo,e voltam para o mesmo lugar; espuma se agarra – um beijo.Algumas vezes, elas levam coisas usadas para a praia;em outras, deslizam em silêncio, sem nada dizer,cavam, escondem-se no eco-escuro –esperam até…
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Cassiano Ricardo – Ladainha

Por que o raciocínio,os músculos, os ossos?A automação, ócio dourado.O cérebro eletrônico, o músculomecânicomais fáceis que um sorriso. Por que o coração?O de metal não tornará o homemmais cordial,dando-lhe um ritmo extra-corporal? Por que levantar o braçopara colher o fruto?A máquina o fará por nós.Por que labutar no campo, na cidade?A máquina o fará por…
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David Whyte – O verdadeiro amor

“O verdadeiro amor”, um poema de David Whyte que apresenta o amor como travessia íntima e corajosa, onde dizer “sim” à mão estendida é escolher viver depois de anos à deriva.
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Heinrich Heine – Morfina

É grande a semelhança desses doisjovens e belos vultos, muito emboraum pareça mais pálido e severoou, posso até dizer, bem mais distintodo que o outro, o que, terno, me abraçava.Havia em seu sorriso tanto afeto,carinho e, nos seus olhos,tanta paz!Ornada de papoulas, sua frontetocava a minha, às vezes – e seu raroodor me dissipava a…

