Categoria: Poema
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Robinson Jeffers – Regresso

Um pouco abstratos e um pouco sábios demais,É tempo de beijarmos a terra novamente,É tempo de deixar que as folhas chovam dos céus,Deixar que a rica vida corra para as raízes novamente.Eu irei para os Sur Rivers feiticeiros,E neles mergulharei meus braços até o peito.Encontrarei minha contabilidade onde treme a folha dos amieirosCom o vento…
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Cassiano Ricardo – Testamento

Deixo os meus olhos ao cegoque mora nesta rua.Deixo a minha esperançaao primeiro suicida.Deixo à polícia meu rasto,a Deus o meu último eco.Deixo o meu fogo-fátuoao mais triste viandanteque se perder sem lanternanuma noite de chuva.Deixo o meu suor ao fiscoque me cobriu de impostos;e a tíbia da perna esquerdaa um tocador de flautapara, com…
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Abdellatif Laâbi – Por que esta folha?

Por que esta folha?Salvo por um detalhe,o mundo não mudouem tão pouco tempoSalvo por um detalheesta manhã é uma réplicacinzentada anteriorSalvo por um detalheo peso esmagador do peitonão se reduziu nem um gramaSalvo por um detalhesentimo-nos ainda vivosum pouco maisum pouco menosO mesmo equilíbriofrágil ou nãoSalvo por um detalheo de uma pergunta desconcertante:Por que esta…
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Jorge Valdés Días-Vélez – Pro nobis

Pro nobis para José Emilio Pacheco Uma vez mais, abriu o Averno suas mandíbulas escaldantes. Assomam os pesadelos e o terror da morte se o sono o invade e se transforma em chama negra, se, ao dormir, o levam até ele, ao lagar luxurioso dos demônios. O menino, mudo, contempla sua silhueta e chora. Na…
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Carlos Drummond de Andrade – José

E agora, José?A festa acabou,a luz apagou,o povo sumiu,a noite esfriou,e agora, José?e agora, você?você que é sem nome,que zomba dos outros,você que faz versos,que ama, protesta?e agora, José? Está sem mulher,está sem discurso,está sem carinho,já não pode beber,já não pode fumar,cuspir já não pode,a noite esfriou,o dia não veio,o bonde não veio,o riso não…
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Mário Chamie – Fantasma

Um fantasma ausentepõe tijolo sobretijolo ao seu redor. Primeiro mede o terrenoDivide o espaço.Calca com o péa plantaque não floresce.Mas que crescesob estacasde cimento. Depois, a ausênciase preenche.O fantasma movea cal, a pedra, a pá.O fantasma moveo corpo já presentedo lugar em que está. Presente e ausente,um fantasma se acasalaMove seu corpode carne e osso.Come…
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Cecília Meireles – Epigrama nº 7

A tua raça de aventuraquis ter a terra, o céu, o mar. Na minha, há uma delícia obscuraem não querer, em não ganhar… A tua raça quer partir,guerrear, sofrer, vencer, voltar. A minha, não quer ir nem vir.A minha raça quer passar. REPUBLICAÇÃO: poema publicado originalmente no blog em 18/10/2016 Conheça outros livros de Cecília…
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Dilruba Ahmed – Fase um

Por ter deixado a geladeira abertaontem à noite, eu a perdoo.Por conjurar cortinas brancasem vez de viver a sua vida. Pelas mudas que murcham, agora,em pequenos potes, eu a perdoo.Por dizer não num primeiro momento,mas sim como uma reflexão tardia. Eu a perdoo pelas visões horrendasapós o parto, provocadas pela perdade sono. E quando o…
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Carlos Drummond de Andrade – A Um Bruxo Com Amor

“A Um Bruxo Com Amor”, um poema de Carlos Drummond de Andrade que convoca a sombra de Machado de Assis para celebrar, entre ironia e assombro, a permanência inquieta da literatura sobre o tempo e a morte.
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Ted Kooser – Luz das estrelas

A noite toda, essa chuva suave do passado distante.Não admira que às vezes eu desperte como uma criança. Trad.: Nelson Santander Starlight All night, this soft rain from the distant past.No wonder I sometimes waken as a child.