Categoria: Poema
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Mário de Andrade – Poema da Amiga (VIII)

Gosto de estar a teu lado,Sem brilho.Tua presença é uma carne de peixe,De resistência mansa e de um brancoEcoando azuis profundos. Eu tenho liberdade em ti.Anoiteço feito um bairro,Sem brilho algum. Estamos no interior duma asaQue fechou. REPUBLICAÇÃO: poema publicado no blog originalmente em 14/10/2016 Conheça outros livros de Mário de Andrade clicando aqui
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Sharon Olds – A corrida

Quando cheguei no aeroporto, corri até o guichê,comprei uma passagem, dez minutos depois me disseram que o voo tinha sido cancelado, os médicostinham dito que meu pai não sobreviveria àquela noitee o voo fora cancelado. Um jovemde bigode castanho-escuro me disseque de outra companhia aérea partiria um voosem escalas em sete minutos. Pegueaquele elevador, desça…
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Affonso Romano de Sant’Anna – Carta aos Mortos

Carta aos Mortos, um poema de Affonso Romano de Sant’Anna, reflete sobre a aparente marcha do progresso e as surpreendentes permanências da experiência humana.
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Eiléan Ní Chuilleanáin – A torre da dama

Vazia, minha alta torre inclina-se Para trás no penhasco; meu colmo Conversa com a amplidão dispersa, Garças. A parede cinza Corta para baixo e encontra Um instável córrego inundado Por seixos, pequenas aves Mergulhadoras. Lá embaixo, meus porões sondam. Atrás de mim, as oblíquas veias da colina Se deslocam; úmida está minha cozinha, Aranhas escondidas…
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Eiléan Ní Chuilleanáin – O quarto de um cavalheiro

Essas compridas sombras recuando,Um rio de telhados inclinando-se Do lado do vale.Frontões e chaminésE torres, com árvores aninhadas entre elas:Todas as formas de um cemitérioVistas do alto de sua janela. Um espelho em forma de caixão responde,Luz suave, polido, liso como a pele,Azul como grama cortada no gramado,Gravatas retorcidas dobradas sobre ele. Abrindo a porta,…
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José Luís Peixoto – na hora de pôr a mesa…

na hora de pôr a mesa, éramos cinco:o meu pai, a minha mãe, as minhas irmãse eu. depois, a minha irmã mais velhacasou-se. depois, a minha irmã mais novacasou-se. depois, o meu pai morreu. hoje,na hora de pôr a mesa, somos cinco,menos a minha irmã mais velha que estána casa dela, menos a minha irmã…
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Francisco Brines – A realidade não permanece

Esta tarde rebelde me leva a Bathe a ti, mas não à cidade de ruastranquilas, nem a quem tu deves ser hoje.O quarto fica maior na penumbraenquanto chove suavemente na rua.Há, na lareira, um fogo que aquecenossos corpos nus, e que iluminao vasto espaço de forma insuficiente.És a luz que o fogo de teus cabelose…
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Linda Pastan – Dor

Mais fieldo que um amante ou maridoela se apega a ti,dando a si própria o teu sobrenomecomo se uma cerimônia tivesse acontecido. À noite, viras e revirasprocurando pela únicaposição suportável,mas mesmo que finalmente consigas dormir,ela acorda antes de ti. Como é pesada,desalojando com seu volumetoda tua energia vital.Antes tu parecias não pesar nada,teus braços poderiam…
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W. H. Auden – Blues Fúnebre (em duas traduções de Nelson Ascher)

BLUES FÚNEBRE – 1ª Tradução Que parem os relógios, cale o telefone,jogue-se ao cão um osso e que não ladre mais,que emudeça o piano e que o tambor sancionea vinda do caixão com seu cortejo atrás. Que os aviões, gemendo acima em alvoroço,escrevam contra o céu o anúncio: ele morreu.Que as pombas guardem luto —…