Categoria: Poema
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Steve Scafidi – Para o último búfalo americano

Porque as palavras fascinam sob a luz vertiginosa das coisase a alma é como um animal – caçada e lenta –este búfalo passeia por mim todas as noites como se eu fossealgum tipo de pradaria e se agacha contra a escuridão fria,bufando sob as estrelas enquanto a névoa de sua respiraçãoeleva-se no ar, e é…
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Carlos Drummond de Andrade – Viagem na Família

A Rodrigo M.F. de Andrade No deserto de Itabiraa sombra de meu paitomou-me pela mão.Tanto tempo perdido.Porém nada dizia.Não era dia nem noite.Suspiro? Voo de pássaro?Porém nada dizia. Longamente caminhamos.Aqui havia uma casa.A montanha era maior.Tantos mortos amontoados,o tempo roendo os mortos.E nas casas em ruína,desprezo frio, umidade.Porém nada dizia. A rua que atravessavaa cavalo,…
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Ada Limón – Viaduto

“Viaduto”, um poema de Ada Limon que revisita uma lembrança da infância para explorar a relação entre fascínio, natureza e mortalidade.
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Carlos Drummond de Andrade – A Noite Dissolve os Homens

A noite desceu. Que noite!Já não enxergo meus irmãos.E nem tão pouco os rumoresque outrora me perturbavam.A noite desceu. Nas casas,nas ruas onde se combate,nos campos desfalecidos,a noite espalhou o medoe a total incompreensão.A noite caiu. Tremenda,sem esperança… Os suspirosacusam a presença negraque paralisa os guerreiros.E o amor não abre caminhona noite. A noite é…
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Robert Hayden – A nevasca

Incapaz de dormir ou rezar, permaneçoao lado da janela olhando para as aluadas árvores envergadas pelo gelo de uma tempestade de dezembro. Bordo e freixo da montanha se curvamsob seu peso vítreo,seus galhos fendidos caindo sobrea neve congelada. As árvores em si, como nos invernos passados,sobreviverão a este fardo,quebradas florescerão. E eu sou menos para…
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Carlos Drummond de Andrade – Os Ombros Suportam o Mundo

Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.Tempo de absoluta depuração.Tempo em que não se diz mais: meu amor.Porque o amor resultou inútil.E os olhos não choram.E as mãos tecem apenas o rude trabalho.E o coração está seco. Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.Ficaste sozinho, a luz apagou-se,mas na sombra…
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Kelli Russell Agodon – Capelas imaginárias

Sento-me no chão de um museu com um homemque não conheço. Estamos contemplando um quadrode 1508. Maria parece triste mas não está chorando.Outro homem se senta à minha esquerda e encosta sua cabeçacontra a parede. Atrás de mim, uma mulher estáchorando. Eu me levanto e caminho em direção a um estranhoque está dizendo, Está tudo…
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Alan Jenkins – Pertences

Leia Pertences, de Alan Jenkins, um poema comovente sobre luto, memória familiar e os vestígios materiais deixados pelos mortos.
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Stanley Plumly – Rinoceronte branco

O último da minha espécie, um dos últimos apreciadores das florese da grama das pastagens do norte, e certamenteum dos poucos habilitados a esfregar as costas no baobáe no carvalho centenário que ainda sobrevive no quintal. O truque está na pedra, parecer algo que se soltoude uma montanha, algo tão sobrante a ponto de nãoestar…
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Carlos Drummond de Andrade – Inocentes do Leblon

Os inocentes do Leblonnão viram o navio entrar.Trouxe bailarinas?trouxe imigrantes?trouxe um grama de rádio?Os inocentes, definitivamente inocentes, tudo ignoram,mas a areia é quente, e há um óleo suaveque eles passam nas costas, e esquecem. REPUBLICAÇÃO: poema publicado no blog originalmente em 08/11/2016 Conheça outros livros de Carlos Drummond de Andrade clicando aqui