Categoria: Poema
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Eavan Boland – Cartas aos mortos

I Estudiosos do Império Antigo encontraram cerâmicasgravadas por toda parte com marcas e sinais. II Escritos em louças de lodo. Nas bordas dos vasos.Colocados na entrada dos túmulos.O vermelho do ferro de um mundo.Postado no limiar de outro.Chamaram-nas de cartas aos mortos. III Eles não choravam ou se lamentavam por meio destas marcas e sinais.Eles…
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Wislawa Szymborska – Nada Duas Vezes

Nada acontece duas vezesnem acontecerá. Eis nossa sina.Nascemos sem práticae morremos sem rotina. Mesmo sendo os piores alunosna escola deste mundão,nunca vamos repetirnenhum inverno nem verão. Nem um dia se repete,não há duas noites iguais,dois beijos não são idênticos,nem dois olhares tais quais. Ontem quando alguém falouo teu nome junto a mimfoi como se pela…
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Tarde na Andaluzia, de Sahar Romani, lido por Sandra Daher
Sandra Daher, uma generosa seguidora do blog, publica em seu perfil no Facebook a leitura que faz de poemas que a inspiram. Em sua postagem mais recente, ela surge lendo o belíssimo “Tarde na Andaluzia”, de Sahar Romani, traduzido por mim e publicado há algum tempo no blog. Confiram o resultado clicando no link que…
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Stephen Dunn – Ignorância

O sonho antigo de voar se tornou realidadee eu olho para cima, sem espanto.Por que não cai?Uma pergunta de criança que eu não sei responder.Eu visto minha ignorância naquilo que eu sei.Uma vez houve pterodátilos, eu digo.Uma vez o céu era presságios e pássaros. Ele é imenso e diminuto e tão altoque não emite nem…
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Wislawa Szymborska – A Cada Cem Pessoas

A cada cem pessoas: sabem de tudo e muito melhor do que os outros:– cinquenta e duas. ficam inseguras a cada passo:– quase todas as outras. estão prontas a ajudardesde é claro que isso não lhes tome muito tempo:– quarenta e nove, o que já não é mau. são sempre boas porque incapazes de ser…
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Linda Pastan – Por trás do

“Busco pelo que está por trás das palavras que são ditas…” – William Stafford Por trás do “Eu te amo”reside um “adeus”.Por trás do“adeus”mora um “foi maravilhosoali no gramado, encharcadosde tanto verde,juntos”.Palavras que esperamsão escuras como sombrasnos quartos dos fundos dos espelhos:quando você levantasua mão direitaem saudação,elas levantam a esquerdaem despedida. Trad.: Nelson Santander Mais…
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Gary Snyder – Dezembro em Yase

Naquele Outubroem que escolheu ser livrena grama alta e seca junto ao pomarvocê disse “quem sabe um dia, talvez daqui a dez anos”. Terminada a universidade te visó mais uma vez. Você estava estranha.E eu obcecado com um projeto. Agora se passaram os tais dez anose até mais um pouco: eu sempre soubeonde você estava…
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Pat Boran – Desde que você se foi…

Desde que você se foi… os dias aprenderam um novo idioma,as noites falam em línguas – as vozes da chuva na janela do quarto, do vento sussurrando na rua varrida pela chuva, os canos da casa chamando,tina após tina de água. A perda descobre novas cançõesem antigos instrumentos. Trad.: Nelson Santander Since You Left… the…
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Yehuda Amichai – O Corpo é a Causa do Amor

Primeiro o corpo é a causa do amordepois a fortaleza que o protegepor fim seu cárcere.E quando o corpo morre, o amor jorracaudalosamentecomo de um caça-níqueis clandestino quebradojorram de súbitocom estrondotodas as moedas de geraçõese gerações entregues à própria sorte. Trad.: ? REPUBLICAÇÃO: poema publicado no blog originalmente em 19/02/2017
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Joseph Hillman – Para capturar a mim mesmo

Para capturar a mim mesmoeu devo cavar um buraco Perfurar a película quesepara a vida da morteCom pá, pá de corteou mãos afiadas Fazer a terra desabrocharEm uma floração de preto e ocre Permitir que os muros se ergamao meu redor comodesmoronadoscortinadosengolindo-me inteiroenquantovou maisfundo Mais fundonaquele buraco Tão fundo quenão posso sairnovamentee tenho queviver oresto…