Categoria: Poema
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Billy Collins – A vida após a morte

Enquanto você se prepara para dormir, escovando os dentes,ou folheando uma revista na cama,os defuntos do dia estão iniciando sua jornada. Eles se movem em todas as direções imagináveis,cada qual de acordo com sua crença pessoal,e este é o segredo que o silencioso Lázaro não quis revelar:todos estão certos, no fim das contas.Você vai para…
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Paulo Henriques Britto – De “Biographia Literária”

(…) ii Não volta mais, aquele voo cego rumo ao que nunca esteve lá, porémsó surge em pleno ar. E não renegoa rota tonta que segui. Ninguémse faz em linhas retas. Todo portoa que se chega é a meta desejada.E o caminho tomado, por mais torto,acaba sempre sendo a exata estradaa dar naquilo que, afinal,…
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Dorianne Laux – No limite

Depois que sua mãe morrer, você aprenderá a viverno limite da vida, a se segurarcomo ela fazia, uma mão no painel,a outra agarrando sua bolsa enquanto vocêpassa pelo sinal de pare, ombros tensos,olhos totalmente fechados, esperando pela colisãoque não vem. Você aprenderáa ficar acordada a noite toda sabendo que ela se foi,vendo a manhã se…
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Paulo Henriques Britto – De “Duas Bagatelas”

(…) II Então viver é isso,é essa obrigação de ser feliza todo custo, mesmo que doa,de amar alguma coisa, qualquer coisa,uma causa, um corpo, o papelem que se escreve,a mão, a caneta até,amar até a negação de amar,mesmo que doa,então viver é sóesse compromisso com a coisa,esse contrato, esse cálculoexato e preciso, esse vicio,só isso.…
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Nâzim Hikmet – O otimista

quando criança ele nunca arrancou as asas das moscasele não atava latas nos rabos dos gatosnão prendia besouros em caixas de fósforosnem esmagava formigueirosele cresceue todas estas coisas foram feitas com eleeu estava ao lado de sua cama quando ele morreuele disse leia para mim um poemasobre o sol e o oceanosobre satélites e reatores…
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Paulo Henriques Britto – De “Biographia Literária”

VII Nada disso foi do jeito que eu quis.Se fosse como eu quis, não haveriade ser tão sofrido, tão infeliz.Mas eu – o eu que sou – eu não seria. Assim, não me lamento. Até me sintocomo quem tem não o que foi pedido,e sim o que, guiado pelo instinto,não pelo querer, teria querido. O…
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Andrea Cohen – O comitê avalia

Digo à minha mãe queganhei o Prêmio Nobel. De novo? ela diz. Em qualcategoria desta vez? É uma brincadeiraque fazemos: eu finjo que sou alguém, elafinge não estar morta. Trad.: Nelson Santander The Committee Weighs In I tell my motherI’ve won the Nobel Prize. Again? she says. Whichdiscipline this time? It’s a little gamewe play:…
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Paulo Henriques Britto – Balanços

(…) II Como saber sem tentar?Como tentar se é tão fácilconformar-se de saídacom a ideia de fracasso? Pois fracassar justificao não se ter nem sequeradmitido não querer-seaquilo que mais se quer. É um beco sem saída,mas sempre é melhor que a rua:mais estreito. Acolhedor.Vem, entra. A casa é tua. REPUBLICAÇÃO: poema publicado no blog originalmente…
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Sylvia Plath – Estrelas sobre a Dordonha

Estrelas caem densas como rochas na linhaEnfolhada de árvores cuja silhueta é mais escuraDo que o breu do céu porque não tem estrelas.O bosque é um poço. As estrelas caem silenciosamente.Parecem grandes, mas caem, e nenhuma lacuna é visível.Elas tampouco emitem fogos de onde caemOu qualquer sinal de angústia ou ansiedade.Elas são imediatamente devoradas pelos…