Categoria: Poema
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Wislawa Szymborska – Retornos

Voltou. Não disse nada.Mas estava claro que teve algum desgosto.Deitou-se vestido.Cobriu a cabeça com o cobertor.Encolheu as pernas.Tem uns quarenta anos, mas não agora.Existe – mas só como na barriga da mãena escuridão protetora, debaixo de sete peles.Amanhã fará uma palestra sobre a homeostasena cosmonáutica metagaláctica.Por ora dorme, todo enrodilhado. Trad.: Regina Przybycien REPUBLICAÇÃO: poema…
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Mary Oliver – Pesado

Naquela épocaEu pensei que não poderiame aproximar mais da dorsem morrer eu me aproximeie não morri.Certamente tevea mão de Deus nisso, assim como as dos amigos.Ainda assim, eu estava curvada,e meu riso,como disse o poeta, havia desaparecido.Então disse o meu amigo Daniel(valente mesmo entre os leões):“Não é o peso que você carrega mas como você…
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John Keats – Ode sobre a Indolência

I Numa certa manhã eu vi as três as figuras, Curvadas, de perfil, mãos juntas, uma a uma,Seguindo atrás da outra, mudas e seguras, Sandálias suaves, vestes alvas, pés de pluma;Como formas de mármore em alto-relevo Sobre uma urna, foram-se, ao girar a face Do vaso; mas voltando ao ângulo anterior,Mostraram-se mais uma vez como…
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Ciaran O’Driscoll – Por favor, permaneça na linha

Este é o futuro, minha esposa diz.Nós já estamos lá, e é exatamente como o presente. Seu futuro, aqui, ela diz.E estou falando com um robô ao telefone.O robô está me dando inúmeras opções,nenhuma das quais atende às minhas necessidades.Ótimo, diz o robôquando eu lhe dou o número do meu telefone.E Excelente, diz o robôquando…
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Yehuda Amichai – Outra Vez o Amor Terminou

Outra vez o amor terminou, como uma boa safra de laranjas,ou como uma boa temporada de escavações, que extraiu das profundezascoisas comovidas que buscavam o esquecimento. Outra vez o amor terminou. E como depois de se demoliruma casa grande e retirar os escombros, visitamoso terreno vazio e quadrado e dizemos: como era pequenoo lugar onde…
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Francisco Brines – Esplendor negro

Somente uma vez pudeste conhecer aquele Esplendor negro,e intermitentemente recordas a experiência vagamente,aproximações difusas, iminências,e assim, desde a tua juventude, arrastas frio,um invisível manto de cinza escarlate.E não foi necessário cegar os olhos,pois das luzes claras dos astroschegou aquele delírio, a possibilidade mais exata e simples:em vez de Deus ou do mundoaquele negro Esplendor,que nem…
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Alberto Ríos – Coelhos e fogo

Leia “Coelhos e fogo”, de Alberto Ríos, um poema impactante sobre sofrimento, compaixão e a vulnerabilidade de todos os seres vivos.
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Paulo Henriques Britto – de “Nenhuma Arte”

Os deuses do acaso dão, a quem nadalhes pediu, o que um dia levam embora;e se não foi pedida a coisa dadanão cabe se queixar da perda agora.Mas não ter tido nunca nada, nãoseria bem melhor — ou menos mau?Mesmo sabendo que uma solidãocompleta era o capítulo final,a anestesia valeria o preço?(Rememorar o que não…
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Lynn Emanuel – Minha vida

Como Jonas pelo peixe, eu fui por ela recebida,revirada e varrida por suas águas escuras,por ela conduzida para as profundezas e para além de incontáveis rochas.Sem ser tocada por seus dentes, caí nelasem um esforço maior que um grão de areiaentrando pela porta de uma catedral, tão largas eram suas mandíbulas.Desci, de cabeça e calcanhar,pela…
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Paulo Henriques Britto – De “Bonbonnière”

I A seletividade da memória —a cor exata da pele, a textura,o odor de cada côncavo e orifício,o lábio, a língua, o dente, o plexo solar, a sola do pé, o suor e asaliva, a coxa arisca, a dobra escura,o beijo salobro, o sabor difícil,a carne assombrada, o esperma perplexo — falsa perfeição, mero artifíciodo…