Chegamos ao silêncio lentamente. Levados ao mundo
por uma onda de som,
mais tarde o deixamos de bocas fechadas,
nossas línguas, pesadas
como pedras para nos ancorar
na terra. Agora ouvimos
o vento nas folhas farfalhantes,
um burburinho de água
sobre as pedras,
a batalha musical
dos pássaros.
Considere a orelha
em forma de clave de fá,
mas vazia.
Considere os espaços entre as estrelas,
solilóquios de luz.
É quase hora
de aquietar as crianças,
de fazer calar os cães.
Até nossas palavras se abafam
em meu cabelo; logo
será apenas pelo toque
que reconhecerei você.
Estes são os corredores
do silêncio; entre
na ponta dos pés.
Aqui Orfeu dorme,
sua harpa sem cordas.
Aqui os sons
de uma folha
caindo ao chão
podem nos ensurdecer.
Trad.: Nelson Santander
We come to silence
We come to silence slowly. Washed into the world
on a wave of sound
we leave it later with closed mouths,
our tongues grown heavy
as stones to anchor us
in earth. Now we hear
wind in the noisy leaves,
a hubbub of water
over the rocks,
the musical warfare
of the birds.
Consider the ear
shaped like the bass clef
but empty.
Consider the spaces between stars,
soliloquies of light.
It is almost time
to hush the children,
to quiet the dogs.
Even our words grow muffled
in my hair, soon
it will be only touch
I know you by.
These are the corridors
of silence; enter
on tiptoe.
Here Orpheus sleeps,
his harp unstrung.
Here the sounds
a leaf makes
falling to ground
may deafen us.

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