Henry Wadsworth Longfellow – Casas assombradas

Todas as casas onde homens viveram e morreram
   São casas mal-assombradas. Pelo aberto portão
As inofensivas almas, em suas tarefas, pairam,
   Com pés que quase nenhum ruído produzem no chão.

Nós as encontramos na escadaria, no corredor,
   Pelas passagens através das quais elas vêm e vão,
impalpável impressão no ar ao nosso derredor,
   Sensação de algo em intensa movimentação.

Há mais convivas na mesa do que os anfitriões
   Chamaram; encontra-se a entrada resplandescente
Apinhada de mansas e inermes aparições,
   Tão silenciosas quanto aqueles quadros na parede.

O estranho na minha lareira não consegue ver
   As formas que eu enxergo, nem ouvir os sons que eu escuto;
Ele apenas os percebe; enquanto que para o meu ser
   Tudo quanto tem sido é visível e impoluto.

Não temos títulos de posse de terras e moradas;
   Proprietários e posseiros de esquecidos jazigos
De eras passadas estiram suas mãos empoeiradas,
   E mantém inalienáveis seus domínios antigos.

O mundo espiritual que circunda o dos sentidos
   Flutua como a atmosfera, e por todo lado
Exala por essas brumas terrestres e densos fluidos
   Um bafejo substancial do ar mais elevado.

Nossas pequenas vidas são mantidas em harmonia
   Por contraditórias atrações e expectativas
A batalha entre a inclinação que se delicia,
   E a mais nobre inclinação, a que objetiva.

Essas perturbações, este perpétuo recipiente
   De elevados desejos e de aspirações mundanas,
Originam-se de uma estrela invisível influente,
   Um ignoto planeta que acima do nosso céu plana.

E enquanto o luar projeta de um portal pardacento
   De nuvem sobre o mar uma ponte de luz flutuante,
Em cujo instável passadiço nossos pensamentos
   Aglomeram-se no reino do mistério e da noite, –

Assim também daquele mundo dos espíritos desce
   Uma passarela de luz, que o conecta ao nosso,
Sobre cujo movente piso, que oscila e se torce,
   Vagueiam nossos pensamentos sobre o escuro fosso.

Trad.: Nelson Santander

Haunted Houses

All houses wherein men have lived and died
  Are haunted houses.  Through the open doors
The harmless phantoms on their errands glide,
  With feet that make no sound upon the floors. 

We meet them at the doorway, on the stair,
  Along the passages they come and go,
Impalpable impressions on the air,
  A sense of something moving to and fro. 

There are more guests at table, than the hosts
  Invited; the illuminated hall
Is thronged with quiet, inoffensive ghosts,
  As silent as the pictures on the wall. 

The stranger at my fireside cannot see
  The forms I see, nor hear the sounds I hear;
He but perceives what is; while unto me
  All that has been is visible and clear. 

We have no title-deeds to house or lands;
  Owners and occupants of earlier dates
From graves forgotten stretch their dusty hands,
  And hold in mortmain still their old estates. 

The spirit-world around this world of sense
  Floats like an atmosphere, and everywhere
Wafts through these earthly mists and vapors dense
  A vital breath of more ethereal air. 

Our little lives are kept in equipoise
  By opposite attractions and desires;
The struggle of the instinct that enjoys,
  And the more noble instinct that aspires. 

These perturbations, this perpetual jar
  Of earthly wants and aspirations high,
Come from the influence of an unseen star,
  An undiscovered planet in our sky. 

And as the moon from some dark gate of cloud
  Throws o’er the sea a floating bridge of light,
Across whose trembling planks our fancies crowd
  Into the realm of mystery and night,– 

So from the world of spirits there descends
  A bridge of light, connecting it with this,
O’er whose unsteady floor, that sways and bends,
  Wander our thoughts above the dark abyss.

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