Mês: dezembro 2018
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Nelson Santander – Cinema Paradiso e a visita cruel do tempo
Cinema Paradiso e a visita cruel do tempo, uma crônica de Nelson Santander
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paulo leminski – sossegue coração

sossegue coração ainda não é agora a confusão prossegue sonhos afora calma calma logo mais a gente goza perto do osso a carne é mais gostosa
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Antonio Cicero – Prólogo

Por onde começar? Pelo começo absoluto, pelo rio Oceano, já que ele é, segundo o poeta cego em cujo canto a terra e o céu escampo e o que é e será e não é mais e longe e perto se abrem para mim, pai das coisas divinas e mortais, seu líquido princípio, fluxo e…
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Luis Alberto de Cuenca – Quando Penso nos Velhos Amigos

Quando penso nos velhos amigos que saíram de minha vida, unindo-se a más mulheres que alimentam seu medo e os enchem de filhos para tê-los por perto, controlados e inermes. Quando penso nos velhos amigos que se foram para o país da morte, sem passagem de volta, só porque procuraram o deleite nos corpos e…
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Sophia de Mello Breyner Andresen – Espera

Dei-te a solidão do dia inteiro. Na praia deserta, brincando com a areia, No silêncio que apenas quebrava a maré cheia A gritar o seu eterno insulto, Longamente esperei que o teu vulto Rompesse o nevoeiro.
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josé luís peixoto – arte poética

o poema não tem mais que o som do seu sentido, a letra p não é a primeira letra da palavra poema, o poema é esculpido de sentidos e essa é a sua forma, poema não se lê poema, lê-se pão ou flor, lê-se erva fresca e os teus lábios, lê-se sorriso estendido em mil…
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Ian Hamilton – Poema de Aniversário

Firme em suas mãos Sua caneca de barbear com a Exposição do Império. Você a conserva agora Como escarradeira, as pombas presunçosas, O 1938 dela Manchados por gotas de seu sangue. Esta noite, Meio sufocado, canceroso, Desiludido, Você bate os dentes contra sua boca dourada de porcelana E espera por um ataque. Trad.: Nelson Santander…
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Ivan Junqueira – A tua data

Alguém só morre em sua data, que é única, ôntica, enfática. Nunca depende de quem vai nem de quem fica ao pé da lápide. É quando o corpo, enfim, se acaba, e, se dele a alma se aparta, não cabe a ninguém afirmá-lo, nem se a tinha, em vida, o finado. É quando as lâmpadas…
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Paulo Henriques Britto – Nenhum Mistério

I Não chega a ser desespero, mas não por haver esperança. Falta a ênfase, o tempero, o sal da intemperança, sem o qual não é iguaria à altura de grandes gestos. É mais da categoria das migalhas, dos restos. Pois dessa matéria escassa há que se tirar sustância. (Até mesmo na desgraça é pra poucos…
