Tag: Vida
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James Tate – Uma batida na porta

Eles me perguntam se eu já penseisobre o fim do mundo,e eu respondo, “Entrem, entrem,deixe-me dar-lhes algo para comer, por favor.”Depois de algumas mordidas, eles querem falarsobre a vida após a morte. “Ui!,” eu digo,“vocês já viram aquela Greapleaf skeletonizer?”1Depois eles começam a falar sobre redençãoe dos poucos escolhidos para sentar ao lado Dele.“Fazendo o…
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Jack Gilbert – Um sumário para a defesa

Diante do sofrimento e das perdas do mundo, o poema formula uma defesa da alegria sem ingenuidade. Jack Gilbert procura justificar a atenção ao esplendor cotidiano justamente porque conhece a dor que o cerca.
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Luis Alberto de Cuenca – Abre todas as Portas

Abre todas as portas, a que conduz ao ouro,a que leva ao poder, a que esconde o mistériodo amor; a que oculta o segredo insondávelda felicidade, a que a vida te ofertapara sempre no gozo de uma visão sublime.Abre todas as portas, sem te mostrares curioso,nem dar importância às manchas de sangueque salpicam as paredes…
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Inês Lourenço – As Coisa que Cessam

Tanto desprezopelo que é transitório e finito. Não servireisenhor que possa morrer. Mas passamosa vida a amar todas as fragilidadesdas coisas que cessam. Hácoisa mais breve do que um sorriso?Coisa mais curta que a alegriade um reencontro? Tudo o que amamosé passageiro e frágil ouas duas coisas. Mas persegue-nosa nostalgia do infindávelcomo uma tara hereditária.…
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Ursula K. Le Guin – Parentesco

Ardendo muito lentamente, a grande árvore da florestase ergue da sutil cavidade de nevederretida ao seu redor pelo brando e duradourocalor de seu ser e de sua vontade de serraiz, tronco, ramo, folha, e de conhecer aterra escura, a luz do sol, o toque do vento, o canto do pássaro. Desenraizados, desassossegados e de sangue…
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Giuseppe Ungaretti – Vigília

“Vigília”, um poema de Giuseppe Ungaretti que transforma a noite ao lado do cadáver de um companheiro em revelação extrema: diante da morte brutal, o apego à vida torna-se absoluto.
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Dan Albergotti – Coisas para fazer no ventre da baleia

Meça as paredes. Conte as costelas. Registre os longos dias.Olhe para o céu azul por entre os esguichos. Faça pequenas fogueirascom os cascos partidos dos barcos de pesca. Pratique sinais de fumaça.Ligue para os velhos amigos e escute os ecos de vozes distantes.Organize sua agenda. Sonhe com a praia. Busque por toda jornadapelo pálido brilho…
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Matthew Olzmann – Carta à pessoa que gravou suas iniciais no mais antigo pinheiro de folha longa da América do Norte

Southern Pines, Carolina do Norte Diga-me como é viver semcuriosidade, sem sentir admiração. Navegarem águas cristalinas, desviando os olhosdos recifes de algas que ondulamabaixo de você, ignorando o cintilardas escamas de sereias no nevoeiro,olhando para o mundo e sentindoapenas tédio. Estarà beira do precipício de algum vale selvagem,as águias circulando, um rebanho de caribustrovejando lá…
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Ruy Espinheira Filho – Canção de Depois de Tanto

a Roniwalter Jatobá Vamos beber qualquer coisa,que a vida está um desertoe o coração só me pulsasombras de Ido e do Incerto. Vamos beber qualquer coisa,que a lua avança no mare há salobros fantasmasque não quero visitar. Vamos beber qualquer coisaamarga, rascante, rude,brindando sobre o…
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Charles Baudelaire – A Giganta

Pois quando a Natureza, em seu capricho exato,Gerava estranhos seres raros, dia a dia,Uma giganta moça – eis do eu gostaria,Para viver-lhe aos pés com a volúpia de um gato. Ver seu corpo florir com a flor de sua almaE crescer livremente em seus terríveis jogos;Ver se não teria no peito alguma oculta chama,Com as…