Tag: Vida
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Linda Gregg – Redução

Sem nem mesmo abrir o álbumpercebi de repente, dois meses depois,que você havia roubado uma foto minha,aquela colorida, nas ondas gregas.Depois de ter me machucado tanto,como você pode também subtrair-me uma fotode um tempo em que eu ainda não o conhecia?Do tempo em que eu estava com Jack?Roubar a pequena prova de que um diaeu…
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Emily Dickinson – “Morrer por ti era pouco…”

Morrer por ti era pouco.Qualquer grego o fizera.Viver é mais difícil —É esta a minha oferta — Morrer é nada, nemMais. Porém viver importaMorte múltipla — semO Alívio de estar morta. Trad.: Augusto de Campos REPUBLICAÇÃO: poema publicado na página originalmente em 29/06/2018 Too scanty ’twas to die for you,The merest Greek could that.The living,…
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Mary Oliver – Não hesite

Se você, súbita e inesperadamente, sentir alegria,não hesite. Entregue-se a ela. Há muitasvidas e cidades inteiras destruídas ou prestes a sê-lo.Não somos sábios, e raramente bondosos.E muito nunca poderá ser redimido.Ainda assim, resta à vida alguma possibilidade. Talvez essa seja sua maneira de reagir: às vezes acontecealgo melhor que todas as riquezas ou o poderdo…
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Juan Vicente Piqueras – O pouco que sei

Sei que o penar não vale a pena. Sei que a felicidade é indizível. Sei que o amor, essa missão selvagem,delicada, impossível, é a única formade estar neste mundo sem errar. Sei que a morte resolve tudo.Sei que a morte, não, quero dizer, a vidaé um pintassilgo em uma árvore secaou em uma amendoeira em…
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Idea Vilariño – Ou quem sabe nove

Talvez tenhamos tido só sete noitesnão seinão as conteicomo poderia.Talvez não mais que seisou quem sabe nove.Não seimas valeramcomo o amor mais duradouro.Talvezcom quatro ou cinco noites como essasmas precisamente como essastalvezse possa vivercomo de um longo amoruma vida inteira. Trad.: Nelson Santander REPUBLICAÇÃO, com pequenas alterações na tradução: poema publicado na página originalmente em…
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Javier Salvago – Um pouco mais sábios, um pouco mais cegos

Quando não somos mais jovens, nos convencemosde que o diabo sabe mais por ser mais velhoe admitimos que os anos nos ensinama distinguir a realidade do sonho.Talvez não. Talvez a vida sóse nos mostre uma vez – quando temosolhos para aprecia-la – e depois vamosesquecendo seu rosto e seu segredo. Trad.: Nelson Santander REPUBLICAÇÃO, com…
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Javier Salvago – Convém não esquecer

Por esta viaque chamam vida, vamoscom cautela devida, tal qual um cego.Mas em cinzas terminatodo e qualquer fogo. Trad.: Nelson Santander REPUBLICAÇÃO: poema publicado no blog originalmente em 27/05/2018 Conviene no Olvidarlo Por esta senda,que llaman vida, todosvamos a tientas, igual que un ciego.En ceniza terminantodos los fuegos.
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Vítor Nogueira – Gelo

Agora é apenas um café com paredes adornadas,imagens retratando destemidos ancestrais.O tempo foi passando, não foi? Um acidenteem câmara lenta a uma escala cataclísmica. Grande parte daquilo que fazemos é construirmemória, uma promessa frágil ao futuro.E pensar que na vida acumulamos tanta coisa,sobretudo se por hábito não deitamos nada fora. Mas ninguém pode travar a…
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Peter Sirr – Uma cartilha saxônica

Uma cartilha saxônica Para além deste afã e deste verso, aguarda-me inesgotável o universo. – Borges Penso então em Borges ficando cego,e no que ele disse sobre a alma.Ele tentava entender por queum homem que perde o mundobusca espadas e monstrose saxões com vozes rudes no Salão de Hidromel1. É que a alma sabe-se imortal,diz ele,…
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Paulo Henriques Britto – de “Fim de Verão”

VII Eis que acabou o tempo dos inícios, tendo durado o exato suficiente pra formação do hábito (ou vício) de habitar não um mísero presente, mas um futuro sempre a exigir rigorosíssimo planejamento, até que se escute a ficha cair: o tempo se esgotou. Chegou o momento de enfim viver conforme o planejado, ou então…