Tag: vanitas
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Laurie Lee – A sombra abandonada

Percorrendo a sombra abandonadadas habitações da minha infância,meus ouvidos relembram o badalar,ouvindo suas vozes soterradas. Ouço o verão primordial,as margens da aurora iluminadas por aves,o pulsar de sangue da escrevedeira-amareladourando meus olhos de berço. Ouço a lua-de-estanho subire a moeda do crepúsculo cair,o rastejar da geada e o gemidodo degelo e o pio dos piscos…
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Jane Hirshfield – Dentro desta árvore

Dentro desta árvore outra árvore habita o mesmo tronco; dentro desta pedra outra pedra descansa, com muitos tons de cinza iguais, com superfície e peso idênticos. E dentro do meu corpo, outro corpo, cuja história, à espera, canta; não há outro corpo, ela canta, não há outro mundo. Trad.: Nelson Santander Within this tree Within…
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Alberto Bresciani – Bisões

Leia “Bisões”, de Alberto Bresciani, um poema sobre pertencimento, deslocamento e a busca humana por direção e sentido.
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Louise Glück – Amor ao luar

Às vezes, um homem ou uma mulher impõe seu desesperoa outra pessoa, o que é chamado deabrir o coração, ou alternativamente, desnudar a alma —o que significa que, neste momento, eles adquiriram almas —lá fora, em uma noite de verão, um mundo inteiroderramado sobre a lua: grupos de formas prateadasque podem ser edifícios ou árvores,…
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Wendell Berry – Antes do Anoitecer

Da varanda no crepúsculo, observeium martim-pescador selvagem em um vooque ele só poderia estar realizando por deleite. Ele desceu pelo rio, chapinhandocontra o rosto turvo da águacomo uma pedra saltitante, passando rio abaixo até sumir de vista. E aindaeu podia ouvir o chapinharcada vez mais distante à medida que escurecia. Ele voltoupelo mesmo caminho, escuro…
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Ivan Junqueira – Estamos indo embora

Estamos indo embora. Sobre o piso de ardósia, por entre caules e corolas que exalam um perfume exótico, os gatos deslizam. São espíritos leves e sóbrios, com suas patas de veludo, silenciosas, que arranham a lombada dos livros e o verniz dos móveis. Os tapetes abafam seus passos ociosos, como se faz quando se acolhem…
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Michael Krüger – À primeira vista

Na verdade, nada mudou: o castanheiro diante da casa, martirizado pela hera, as ameixeiras sobre o seu tapete azul, o doce perfume da infância e da decadência. Do vale, rugem os caminhões, e a sombra se apressa em redor da casa em sentido anti-horário, perscrutando a dor. Até o poço ainda está lá como um…
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Joan Margarit – De repente está claro

De repente está claro. O amor é a vitória que irá me destruir. Como me gangrena o coração a solidão, como me destroça nas janelas do crepúsculo a hiena desolada e exangue. Na era rubra só o amor nos livra da gélida gruta do tempo. Conheci a glória de estar desesperado e a miséria do…
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Luis Cernuda – Os espinhos

Possuem já os espinhos verdor novo na colina, toda de púrpura e neve pelo ar estremecida. Quantos céus em flor já viste? Embora ao encontro eles serão sempre devotados, tu não o serás um dia. Antes que a penumbra caia, sabe o que a alegria é junto aos espinhos vermelhos e alvos em flor. Olha.…
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Filipa Leal – Estátua da Liberdade

E ali estava – nós a atravessarmos de barco a alegria: o pai ainda de bigode, de chapéu castanho, a mãe de óculos e echarpe, a Marta que em breve seria mãe também mas não sabia que transportava no útero mais um passageiro, o Miguel, pequenino e corajoso, sempre a tentar que os pés não…