Louise Glück – Amor ao luar

Por vezes, um homem ou uma mulher impõe seu desespero
a outra pessoa, o que é chamado de
abrir o coração, ou alternativamente, desnudar a alma —
o que quer dizer que, neste momento, eles adquiriram almas —
do lado de fora, em uma noite de verão, um mundo inteiro
despejado sobre a lua: grupos de formas prateadas
que podem ser edifícios ou árvores, o pequeno jardim
onde o gato se esconde, rolando de costas no chão,
as rosas, as coreópsis, e, no escuro, o domo
   dourado do Capitólio
convertido em uma liga de luar, forma
sem detalhes, mito, arquétipo, alma
plena de flama que é de fato o luar, subtraída
de outra fonte, e brevemente
brilhando como a lua brilha: rocha ou não,
a lua ainda é uma coisa viva.

Trad.: Nelson Santander

Love in moonlight

Sometimes a man or woman forces his despair
on another person, which is called
baring the heart, alternatively, baring the soul —
meaning for this moment they acquired souls —
outside, a summer evening, a whole world
thrown away on the moon: groups of silver forms
which might be buildings or trees, the narrow garden
where the cat hides, rolling on its back in the dust,
the rose, the coreopsis, and, in the dark, the gold
   dome of the capitol
converted to an alloy of moonlight, shape
without detail, the myth, the archetype, the soul
filled with fire that is moonlight really, taken
from another source, and briefly
shining as the moon shines: stone or not,
the moon is still that much of a living thing.

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