Os soldados
trabalham com afinco
construindo uma casa.
Eles cravam
corpos no chão
como pregos,
pintam as paredes
com sangue.
Por dentro, as portas
permanecem fechadas, trancadas
como olhos de pedra.
Por dentro, as escadas
são escorregadias, e
todo lance leva para baixo.
Não há chão:
apenas um teto,
de onde caem cinzas —
neve negra,
neve humana,
espessa, muda,
caindo.
Venham, dizem.
Esta casa
vai durar para sempre.
Você deve ocupá-la.
E você, e você —
E você, e você —
Venham, dizem.
Há espaço
para todos.
Trad.: Nelson Santander
Occupation
The soldiers
are hard at work
building a house.
They hammer
bodies into the earth
like nails,
they paint the walls
with blood.
Inside the doors
stay shut, locked
as eyes of stone.
Inside the stairs
feel slippery,
all flights go down.
There is no floor:
only a roof,
where ash is falling—
dark snow,
human snow,
thickly, mutely
falling.
Come, they say.
This house will
last forever.
You must occupy it.
And you, and you—
And you, and you—
Come, they say.
There is room
for everyone.

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