Tag: Memento Mori
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Eugénio de Andrade – Quando em silêncio passas entre as folhas…

Quando em silêncio passas entre as folhas, uma ave renasce da sua morte e agita as asas de repente; tremem maduras todas as espigas como se o próprio dia as inclinasse, e gravemente, comedidas, param as fontes a beber-te a face. Conheça outros livros de Eugénio de Andrade clicando aqui
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Manuel António Pina – Quinquagésimo ano

São muitos dias (e alguns nem tantos como isso…) e começa a fazer-se tarde de um modo menos literário do que soía, (um modo literal e inerte que, no entanto, não posso dizer-te senão literariamente). Mas não há pressa, nem se vê ninguém a correr; a única coisa que corre é o tempo, do lado…
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Vasco Gato – Repara nos velhos

Repara nos velhos. Dementes, doridos, restos de casas. Vivem agora a lepra de todos nós. Não lhes chegamos. Tresandam. Esquecem. Apoderam-se do nada. E nós, capitosos, brindamos com o vinho que também eles sorveram, desdenhando a morte que, amarga como a nossa indiferença, haveremos de provar.
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Nelson Ascher – Saudade

Posto que nem é de bom-tom falar sobre a tristeza insossa cujo vaivém, quando se apossa de mim, me embala como o som sem fim das ondas do Leblon, dispondo-me a curtir a fossa a sós, pus na vitrola a bossa nova de João, Vinícius, Tom, menos pra ouvir o que ela tem, porque talvez…
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Ian Hamilton – Fantasmas

O caixão lustroso e suntuosamente adornadoDesliza como um novo navio para as profundezas em chamas.Na terra firme,A congregação se ajoelha em murmúrios. Do meu banco no cantoTenho uma visão livre e desimpedidade sua partida.Se você estivesse deitada de ladoTalvez pudesse captar seu olhar insuspeito. No pátio, ao anoitecer,Os tributos florais. Eu poderia jurarTer visto vocêAspirando…
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Heinrich Heine – Chegou a morte

Chegou a morte – agora vou Dizer o que o orgulho não Me permitiu: meu coração Tão só por ti pulsou, pulsou. Já estou fechado no ataúde, Descem-me à cova. A calmaria Me abraça enfim, mas tu, Maria, Por mim irás, muito amiúde, Chorar, e pra quê, afinal? Consola-te, este é o destino Humano: o…
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Joseph Stroud – Lázaro em Varanasi

De uma pira no flamejante ghat,um cadáver se ergue lentamente entre as chamas.Como se lembrasse de algo importante.Como se quisesse olhar ao redor uma última vez.Como se finalmente tivesse algo a dizer.Como se houvesse uma saída para isso. Trad.: Nelson Santander Mais do que uma leitura, uma experiência. Clique, compre e contribua para manter a…
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Ferreira Gullar – Verão

Este fevereiro azul como a chama da paixão nascido com a morte certa com prevista duração deflagra suas manhãs sobre as montanhas e o mar com o desatino de tudo que está para se acabar. A carne de fevereiro tem o sabor suicida de coisa que está vivendo vivendo mas já perdida. Mas como tudo…
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Idea Vilariño – Não mais

Não mais será não mais não viveremos juntos não criarei teu filho não coserei tua roupa não te terei à noite não te beijarei ao partir nunca saberás quem fui por que outros me amaram. Não chegarei a saber por que nem porque nunca nem se era verdadeiro o que disseste que era nem quem…
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Eugénio de Andrade – Ao fim da tarde

Ninguém esperava ver o mar naquele dia mas era o mar que estava ali, à porta naqueles olhos.