Tag: Memento Mori
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Fernando Pinto do Amaral – Por causa de uma ave

para a minha mãe Cada vez gosto menos de saborearo travo tão pastoso da morte, o murmúriosecreto dos seus olhos invisíveisdentro de mim. Porém, há pouco tempo,num fim de tarde deste fim de julho,passou-me um episódio que rompeude repente na alma todas as comportasque fingem proteger os ópios tranquilosa que chamamos vida. Aconteceudepois de ter…
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Rui Caeiro – Sabem que mais?

Sou um homem dado ao álcool e a eternas dúvidas e que na rua ou lá onde seja a todo o momento pode tropeçar ou morrer: voar é que é muito mais improvável Sou um homem de áridas certezas e uma esperança a essa arrasto-a pela mão pelos cabelos pelas orelhas paro escuto e olho…
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Ramón de Garciasol – Ávila do Silêncio

Silêncio: cala-me até as raízes, lava minha carne, meu suor de morte, a caspa cotidiana. Quero ver-te, Senhor, em paz, pelo que me dizes sem esta feroz contenda confusa, extinta a chama, pedra pura de eternidade sem fim, viva verdura sem o sal da dor e das cinzas. Silêncio: chove mais. A terra dura está…
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Ian Hamilton – Legado

Estamos no inverno agora e estou aquecido, Acamado, feliz por ter sobrevivido. Minha mobília Me cerca. Eu posso alcançar meus livros. E você, noite após noite, Até “o fim” Ficará comigo. Entre nós Há lenitivos, esta dor E estes poemas inacabados eu lego a você. Muitas vezes deve ser assim. Escurecemos suavemente enquanto você conta…
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Carmen Conde – [Declaro que morreu e que seu túmulo]
![Carmen Conde – [Declaro que morreu e que seu túmulo]](https://singularidadepoetica.art/wp-content/uploads/2019/01/tumblr_inline_phmpjoek1n1ufxp92_1280.jpg)
Declaro que morreu e que seu túmuloestá dentro de mim; sou seu sudário.A ninguém se enterrou porque seu trânsitono tempo foi de loucas esperanças. Circundam o contorno desta cova– quente é a vinha que escala as paredes –os pâmpanos mais tenros e suculentosque arrancam do silêncio seu tumulto. Trad.: Nelson Santander Mais do que uma…
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Raymond Carver – Um passeio

Saí para caminhar pelos trilhos do trem.Caminhei algum tempo por elese cheguei ao cemitério do povoado,onde um homem descansa entreduas esposas. Emily van der Zee,Mãe e Esposa Amada,está à direita de John van der Zee.Mary, a segunda senhora Van der Zee,também uma Esposa Amada, à sua esquerda.Primeiro Emily se foi, depois Mary.Anos mais tarde, foi…
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Andreia C. Faria – “Tenho a pedir-vos que não reutilizeis mais nada”

“Tenho a pedir-vos que não reutilizeis mais nada”, um poema de Andreia C. Faria
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Paulo Henriques Britto – À margem do Douro

Não espero nada, e já me satisfaçocom a consciência de ainda estar em mime não de volta ao nada de onde vim.Por ora, ao menos, ainda ocupo espaço,junto a uma mesa no Cais da Ribeira;permito-me, sem culpa, desfrutarde pão, e queijo, e vinho, e vista, e ar,todo o entorno da minha cadeira.Que os dias que…

