Tag: Medo
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Joan Margarit – Vida Social

Idealizavas esta solidãopara ouvir música ou ler,e caminhar no inverno junto ao mar.Mas a solidão é uma chuvaque suja as janelas deste trem dos anos.A solidão é a palavra crueldo acre ressentimento familiar.É a lei do acaso, um labirinto injusto.É não ter dinheiro, é ter medo.É o sexo, uma estranha pista falsaque conduz ao mais…
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William Ernest Henley – Invictus

No meio da noite que me abraça, Negra como um Poço em sua inteireza, Agradeço a cada Deus pela graça De minha invencível natureza. Nas terríveis garras das circunstâncias Não recuei nem alteei meu pranto. Debaixo dos golpes das contingências Minha fronte sangra – altiva, no entanto. Além deste lugar de desenganos, Somente o Horror…
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Andreia C. Faria – “Espero o dia em que possa…”

Espero o dia em que possa deixar crescer as unhas as meias por cerzir a boca sem propósito de beijar. O dia que misture à noite uma respiração de espelhos, um registro acidental, mortificado, ou o livro que se leu na tarde até perder a luz. Que a natureza avance em mim sem esperança de…
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Joan Margarit – Ela

É tempo de não esperar por ninguém. Passa o amor, fugaz e silencioso, como, na distância, um trem noturno. Não resta ninguém. É hora de voltar ao desolado reino do absurdo, ao sentimento de culpa, ao medo vulgar de perder o que estava, já, perdido. Ao inútil e sórdido tempo moral. É hora já de…
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Vasco Gato – Eterno Outono

Estou com a idade pousada nas mãos. Explico-me com dedicação aos berços fundos onde cada coisa dorme o seu medo de morrer. Há na tristeza um perigo de terminar: o eterno outono parece belo a quem perdeu todas as sementes. Pergunta-se um nome e ninguém responde. Onde fica essa ilha a que só chegamos por…
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Pedro Mexia – Vamos Morrer

Vamos morrer, mas somos sensatos, e à noite, debaixo da cama, deixamos, simétricos e exactos, o medo e os sapatos.
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Rui Pires Cabral – Morada

Nós vivemos na cidade quase sempre perdidos nas nossas pequenas razões. Estas ruas ainda prometem mais do que podem cumprir? A breve epifania do amor ou simplesmente um cúmplice que nos diga, à mesa de um café, que não faz mal, que pouco importam as perdas e danos que sofremos. De qualquer modo o mundo…
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Felipe Benítez Reyes – Uma Forma de Eternidade

Então o medo era isto? Não os assustadores fantasmas do pensamento e da consciência. Não os longos corredores de hospitais com lâmpadas fluorescentes dia e noite. Nem sequer o tremor de irrealidade que permanece na alma se te recordas. O medo, aparentemente, é calmo: Chega quando fechas a janela e compreendes que tudo quanto vês…
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Eduardo Chirinos – O que meu pai realmente quer de mim

1Esta noite tive um sonho. Acompanhava meu paipor uma estrada de terra. Os dois íamos a cavaloe mal trocávamos uma palavra. Ao longe, avistava-sea sombra de alguns salgueiros, as luzes de um povoadodesconhecido e remoto. De repente, meu pai deteveseu cavalo e perguntou se eu sabia para onde íamos.Respondi que não. Então vamos bem, ele…
