Joan Margarit – Ela

É tempo de não esperar por ninguém.
Passa o amor, fugaz e silencioso,
como, na distância, um trem noturno.
Não resta ninguém. É hora de voltar
ao desolado reino do absurdo,
ao sentimento de culpa, ao medo vulgar
de perder o que estava, já, perdido.
Ao inútil e sórdido tempo moral.
É hora já de dar-se por vencido
no trabalho solitário, outro inverno.
Quantos restam ainda, e qual o sentido
desta vida onde te procurei,
se já chegou a hora tão temida
de comprovar que nunca exististe?

Trad.: Nelson Santander

Joan Margarit – Ella

Llega el tiempo de no esperar a nadie.
Pasa el amor, fugaz y silencioso
como en la lejanía un tren nocturno.
No queda nadie. Es hora de volver
al desolado reino del absurdo,
a sentirse culpable, al vulgar miedo
de perder lo que estaba, ya, perdido.
Al inútil y sórdido tiempo moral.
Es hora ya de darse por vencido
en el trabajo a solas, otro invierno.
¿Cuántos quedan aún, y qué sentido
tiene esta vida donde te he buscado,
si ya llegó la hora tan temida
de comprobar que nunca has existido?

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