Tag: Medo
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Nuno Júdice – Epidemia

Passa de um para o outro através do olhar, de uma palavra, de um toque de mãos; por vezes, basta um leve suspiro para adivinhar a febre, e atrás dele descobre-se que não é preciso cura nem tratamento. Instala-se na cabeça, no corpo, na boca, nos dedos, sem dor nem cansaço, apenas aquela ânsia a…
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Alberto Pucheu – A luta antes da luta

Você sabe, de nada adianta rezar no canto do ringue. Aquele que nele sobe, sobe sozinho. As bravatas lançadas na hora da pesagem e o peso da multidão colado em sua carne, você sabe, lá em cima, só aumentarão seu abandono. Você sabe também o preço que terá de pagar se deixar que qualquer vagabundo…
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Juan Vicente Piqueras – História universal

Um homem nasce chora cresce risofre e faz sofrer caminha cantatem sede fome frio medose perde extravasa arde sorri. Um homem sozinho no meio da noiteassobia para domar as bestas que o habitam. Abraça empurra mata beija morrese cansa de si mesmo se apaixonase entrega à vida sabe que se findaque o que é escoa…
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Ernesto Pérez Vallejo – A garota de preto

Hoje eu podia ter-me apaixonado por ti, apesar de tuas botas sem salto, podia até ter-te beijado assim, com o mar ao fundo, os beijos aos domingos têm um sabor distinto, mais intenso. Podia ter-te levado pelas mãos até a praia e ter-te despido docemente enquanto me ajoelhava na terra e perfumava o meu nariz.…
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Rebecca Elson – Antídotos para o medo da morte

Às vezes, como antídotoPara o medo da morte,Eu como as estrelas. Nessas noites, deitada de costas,Eu as sorvo da escuridão que as apagaAté estarem todas, todas dentro de mim,Ardentes e pungentes. Às vezes, em vez disso, eu me misturoA um universo ainda jovem,Ainda quente como o sangue: Sem espaço exterior, apenas espaço,A luz de todas…
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Marisa Monte, Arnaldo Antunes, Antonio Carlos Santos de Freitas – Infinito particular
Eis o melhor e o pior de mim No meu termômetro o meu quilate Vem, cara, me retrate Não é impossível Eu não sou difícil de ler Faça sua parte Eu sou daqui, eu não sou de Marte Vem, cara, me repara Não vê, ‘tá na cara Eu sou porta-bandeira de mim Só não se…
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Joan Margarit – Piscina

Não temia a água, mas a ti,era teu medo o que eu temia,e o lugar mais profundo,em que não se veem os azulejos do fundo.Arrastaste-me até lá, lembro aindaa força de teus braços obrigando-me,enquanto tentava abraçar-me a ti.Não aprendi a nadar até muito tempo depois,e esqueci tuas tentativas de ensinar-me.Agora que já nunca voltarás a…
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Paulo Henriques Britto – O aqualouco

A verdadeira diferençasó se sente depois do frio.Antes é só um salto, um mergulho imprudente,como se eternidade fosse água gelada,como se o nada não fosse mais que um rio. Depois somem as palavras fáceis(“eternidade” etc.; v. acima),fica só o fundamental:o vômito, o medo, o adeus,a vontade de assassinar todos os recém-nascidosdo Egito, como se alguém…
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Ruy Belo – Uma vez que já tudo se perdeu

Que o medo não te tolha a tua mão Nenhuma ocasião vale o temor Ergue a cabeça dignamente irmão falo-te em nome seja de quem for No princípio de tudo o coração como o fogo alastrava em redor Uma nuvem qualquer toldou então céus de canção promessa e amor Mas tudo é apenas o que…
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Amalia Bautista – S.O.S.

Protege-me do medo e das sombrasdefende-me de todas as tristezas,exila de minha vida o desconsolo,se puderes, com teu amor, se nãocom o fim do mundo ou com a minha morte. Trad.: Nelson Santander S.O.S Protégeme del miedo y de las sombras,defiéndeme de todas las tristezas,destierra de mi vida el desconsuelo.si puedes, con tu amor, y…