Paulo Henriques Britto – O aqualouco

A verdadeira diferença
só se sente depois do frio.
Antes é só um salto, um mergulho imprudente,
como se eternidade fosse água gelada,
como se o nada não fosse mais que um rio.

Depois somem as palavras fáceis
(“eternidade” etc.; v. acima),
fica só o fundamental:
o vômito, o medo, o adeus,
a vontade de assassinar todos os recém-nascidos
do Egito, como se alguém tivesse culpa de uma coisa
que afinal foi você mesmo quem escolheu.

Depois você é obrigado a aceitar.
Não adianta pressa. Não há mais compromissos,
promessas, fiado, fé. Não.
É só um entregar-se às circunstâncias,
submeter-se às exigências da matéria,
dos elementos, “causalidade”, “aceitação”
etc., como antes. E sempre.

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