Às vezes, como antídoto
Para o medo da morte,
Eu como as estrelas.
Nessas noites, deitada de costas,
Eu as sorvo da escuridão que as apaga
Até estarem todas, todas dentro de mim,
Ardentes e pungentes.
Às vezes, em vez disso, eu me misturo
A um universo ainda jovem,
Ainda quente como o sangue:
Sem espaço exterior, apenas espaço,
A luz de todas as estrelas ainda por nascer,
Flutuando como uma névoa brilhante,
E todos nós, e tudo,
Já ali,
Mas sem os limites da forma.
E às vezes basta
Deitar-me aqui na terra
Junto aos nossos longos ossos ancestrais:
Caminhar pelos campos empedrados
De nossos crânios descarnados,
Cada um como um tesouro, como uma crisálida,
Pensando: o que quer que tenha deixado esses invólucros
Voou para longe em asas brilhantes.
Trad.: Nelson Santander
Antidotes to fear of death
Sometimes as an antidote
To fear of death,
I eat the stars.
Those nights, lying on my back,
I suck them from the quenching dark
Til they are all, all inside me,
Pepper hot and sharp.
Sometimes, instead, I stir myself
Into a universe still young,
Still warm as blood:
No outer space, just space,
The light of all the not yet stars
Drifting like a bright mist,
And all of us, and everything
Already there
But unconstrained by form.
And sometime it’s enough
To lie down here on earth
Beside our long ancestral bones:
To walk across the cobble fields
Of our discarded skulls,
Each like a treasure, like a chrysalis,
Thinking: whatever left these husks
Flew off on bright wings.
https://www.theguardian.com/books/booksblog/2020/mar/23/poem-of-the-week-antidotes-to-fear-of-death-by-rebecca-elson

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