Tag: Família
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Ana Martins Marques – [Pense em quantos anos foram necessários para chegarmos a este ano]
![Ana Martins Marques – [Pense em quantos anos foram necessários para chegarmos a este ano]](https://singularidadepoetica.art/wp-content/uploads/2020/04/black-and-wite-beach-low-tide.jpg)
Pense em quantos anos foram necessários para chegarmos a este ano quantas cidades para chegarmos a esta cidade e quantas mães, todas mortas, até tua mãe quantas línguas até que a língua fosse esta e quantos verões até precisamente este verão este em que nos encontramos neste sítio exato à beira de um mar rigorosamente…
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Robert Bly – Pessoas como nós

Pessoas como nós para James Wright Há mais como nós. Em toda parte Há pessoas confusas, que não conseguem lembrar O nome do próprio cão quando acordam, e pessoas Que amam a Deus mas não se lembram onde Ele estava quando foram dormir. Não Tem problema. O mundo se purifica desta forma. Um número errado…
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May Swenson – Indagações

Corpo minha casameu cavalo meu cão de caçao que fareiquando você tombar? Onde vou dormirComo vou cavalgarO que vou caçar Onde posso irsem minha montariarápida e impaciente?Como sabereise na mata à frentehá perigo ou tesouroquando Corpo meu bomcão vivaz estiver morto Como serájazer no céusem teto ou portae vento por visão Com nuvem como camisolacomo…
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Mary Oliver – A jornada

Um dia você finalmente soubeo que precisava fazer e começou,embora as vozes à sua voltacontinuassem gritandoseus maus conselhos –embora a casa todacomeçasse a tremere você sentisse o velho apeloem seus tornozelos.“Remende minha vida!”,cada voz clamava.Mas você não parou.Você sabia o que precisava fazer,embora o vento tateassecom seus dedos rijosas próprias fundações,e embora a melancolia delesfosse…
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Mary Oliver – Gansos selvagens

Você não precisa ser bom.Você não precisa atravessar o deserto de joelhos,por cem milhas, em penitência.Você só precisa deixar o suave animal do seu corpoamar o que ele ama.Fale-me sobre o desespero, o seu, e eu lhe direi o meu.Enquanto isso, o mundo continua.Enquanto isso, o sol e os translúcidos seixos da chuvamovem-se por entre…
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Camille Dungy – Para entrar em nossa própria casa vazia

Ela estava com sete anos quando paramosde usar chaves. Menos uma coisa para se perder.Agora nós usamos uma senha —simples, mas espero que não tão simples queum estranho possa adivinhar. É aqui queeu deveria parar. Eles se veriam obrigadosa ficar irritados — meus amados.Estou revelando todos os nossos segredosnovamente. Esta vulnerabilidadeé a raiz de muita…
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William Stafford – Uma cópia de arquivo

Deus tira seu retrato: não desvie o olhar –agora, neste quarto, seu rosto inclinadoexatamente como é, antes de você pensarou controla-lo. Vá em frente, deixe-se trair portodas as urgências secretas e ainda mantenhaaquele disfarce parcial que você chama de caráter. Mesmo o seu lábio, dizem, o modo como ele arqueiaou não, ou hesita, entregarávolumes de…
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Lisel Mueller – Quando me perguntam

Quando me perguntamcomo comecei a escrever poemas,eu falo da indiferença da natureza. Foi logo depois que minha mãe morreu,um dia radiante de junhoem que tudo florescia. Sentei-me em um banco de pedra cinzaem um jardim carinhosamente cultivado,mas os lírios eram tão surdosquanto os bêbados adormecidose as rosas se curvavam para dentro.Nada estava de preto ou…
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Alberto Pucheu – A luta antes da luta

Você sabe, de nada adianta rezar no canto do ringue. Aquele que nele sobe, sobe sozinho. As bravatas lançadas na hora da pesagem e o peso da multidão colado em sua carne, você sabe, lá em cima, só aumentarão seu abandono. Você sabe também o preço que terá de pagar se deixar que qualquer vagabundo…
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Jorge Valdés Díaz-Vélez – O material do relâmpago

Calculaste em detalhes cada passo, sutil, há muitos séculos. Finalmente teu marido viajou e as crianças foram dormir com os avós. Estás agora sozinha e eufórica voltaste-te a se maquiar e vestiste-te de preto rigoroso e perfumaste tua mínima porção de lingerie. Estás tremendo, dizes a ti mesma, mas nada te fará voltar atrás. Olhas…