Tag: crítica
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Joan Margarit – Canção de Ninar

Dorme, Joana. E que este Loverman obscuro e trágico do sax de teu irmão em Montjuïc possa acompanhar-te toda a eternidade pelos caminhos que são bem conhecidos pela música. Dorme, Joana, dorme. E de preferência não esqueças de teus anos no ninho que dentro de nós tu deixaste. Enquanto envelhecemos, conservaremos todas as cores que…
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José Mateos – Caminhantes na Neblina

Símbolo da morte é esta neblina que hoje me envolve nos ecos do bosque solitário, que apaga os caminhos e tudo iguala, que faz mais longe o próximo? Assim será a morte? Ouvir ao lado as pessoas que amamos e não vê-las? Saber que em nossa casa nos aguardam, e não poder, e não saber…
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Nelson Santander – Mudança Singular
Resolvi mudar o blog. De hoje em diante, além de umas perfumarias que fiz na página, o blog passará a se chamar “singularidade”. Por quê? Primeiro, porque o nome anterior era muito feio. A ideia de criar um blog para divulgar poemas (principalmente), textos, vídeos, traduções e outras coisas de que gosto, veio meio de…
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Emily Dickinson – “Senti um Féretro em meu Cérebro…”

Senti um Féretro em meu Cérebro,E Carpideiras indo e vindoA pisar — a pisar — até eu sonharMeus sentidos fugindo — E quando tudo se sentou,O Tambor de um Ofício —Bateu — bateu — até eu sentirInerte o meu Juízo E eu os ouvi — erguida a Tampa —Rangerem por minha Alma comTodo o Chumbo…
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Tishani Doshi – Poema de Amor

No fim, perderemos um ao outro para alguma coisa. Espero que para algo grandioso – morte ou desastre. Mas pode não ser dessa maneira. Pode ser que você saia para comprar cigarros uma manhã depois de termos feito amor e nunca mais retorne, ou eu me apaixone por outro homem. Pode ser uma lenta caminhada…
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Joan Margarit – Discurso do Método

Já de criança procurava as janelas para pode fugir com o olhar. Desde então, se entro em um lugar, observo com atenção onde deixo meu casaco e onde está a porta de saída. Liberdade, para mim, quer dizer fuga. Há muitas portas no mundo. Inclusive o sexo, em caso de emergência, pode sê-lo, embora todas…
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Eloy Sánchez Rosillo – Aviso aos Caminhantes

Na soma de dias indeterminados que a vida dá ao homem, talvez exista um em que o destino, trágico e belo, passe ao nosso lado e o acaso acenda uma insólita luz, um incomum fulgor inconfundível. Mas não hesites. Tem coragem, quando chegar o momento, de abandonares as coisas com que os hábitos sempre te…
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Luis Alberto de Cuenca – Abre todas as Portas

Abre todas as portas, a que conduz ao ouro, a que leva ao poder, a que esconde o mistério do amor; a que oculta o segredo insondável da felicidade, a que a vida te oferta para sempre no gozo de uma visão sublime. Abre todas as portas, sem te mostrares curioso, nem dar importância às…
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César Cantoni – Álbum de Família

Morreu meu pai, morreram meus avós,morreram meus tios de sangue e por afinidade.Uma família inteira de ferreiros,marceneiros, curtidores, pedreiros,jaz agora sem forças sob a terra. E eu, o mais inútil de todos,o que não sabe fazer nada com as mãos,consegui sobreviver impunementepara chorar diante de uma fotoo melhor do meu sangue. Trad.: Nelson Santander Album…
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Ana Goês – Convida-me só para jantar

E não queiras depois fazer amor. Convida-me só para jantar num restaurante sossegado numa mesa de canto e fala devagar e fala devagar eu quero comer uma sopa quente não quero comer mariscos os mariscos atravancam-me o prato e estou cansada para os afastar fala assim devagar devagar não é preciso dizeres que sou bonita…