Tag: Carpe Diem
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Sophia de Mello Breyner Andresen – Homenagem a Ricardo Reis

Não creias, Lídia , que nenhum estioPor nós perdido possa regressarOferecemos a florQue adiámos colher. Cada dia te é dado uma só vezE no redondo círculo da noiteNão existe piedadePara aquele que hesita Mais tarde será tarde e já é tardeO tempo apaga tudo menos esseLongo indelével rastoQue o não – vivido deixa. Não creias…
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Ricardo Reis – Vem Sentar-te Comigo, Lídia, à Beira do Rio

Vem sentar-te comigo Lídia, à beira do rio. Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamos Que a vida passa, e não estamos de mãos enlaçadas. (Enlacemos as mãos.) Depois pensemos, crianças adultas, que a vida Passa e não fica, nada deixa e nunca regressa, Vai para um mar muito longe, para ao pé do Fado,…
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Catulo – Vivamus, mea Lésbia, ataque amemus

Vivamos minha Lésbia, e amemos, e as graves vozes velhas – todas – valham para nós menos que um vintém. Os sóis podem morrer e renascer: quando se apaga nosso fogo breve dormimos uma noite infinita. Dá-me pois mil beijos, e mais cem, e mil, e cem, e mil, e mil e cem. Quando somarmos…
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Antonio Cicero – Huis Clos

Da vida não se sai pela porta: só pela janela. Não se sai bem da vida como não se sai bem de paixões jogatinas drogas. E é porque sabemos disso e não por temer viver depois da morte em plagas de Dante Goya ou Bosh (essas, doce príncipe, cá estão) que tão raramente nos matamos…
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Ferreira Gullar – Voltas Para Casa

Depois de um dia inteiro de trabalho voltas para casa, cansado. Já é noite em teu bairro e as mocinhas de calças compridas desceram para a porta após o jantar. Os namorados vão ao cinema. As empregadas surgem das entradas de serviço. Caminhas na calçada escura. Consumiste o dia numa sala fechada, lidando com papéis…
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Dante Milano – Ao Tempo

Tempo, vais para trás ou para diante? O passado carrega a minha vida Para trás e eu de mim fiquei distante, Ou existir é uma contínua ida E eu me persigo nunca me alcançando? A hora da despedida é a da partida A um tempo aproximando e distanciando… Sem saber de onde vens e aonde…
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Horácio – Ode XI, I

não me perguntes — é vedado saber — o fim que a mim e a ti darão os deuses Leucônoe nem babilônios números consultes antes o que for recebe quer te atribua Júpiter muitos invernos quer o último que o mar tirreno debilita com abruptas r o c h a s bebe…
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Petrarca – Soneto XXXII

Quanto mais perto estou do dia extremo Que o sofrimento humano torna breve, Mais vejo o tempo andar veloz e leve E o que dele esperar falaz e menos. E a mim me digo: Pouco ainda andaremos De amor falando, até que como neve Se dissolva este encargo que a alma teve, Duro e pesado,…
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Rainer Maria Rilke – A Morte do Poeta

Jazia. A sua face, antes intensa, pálida negação no leito frio, desde que o mundo, e tudo o que é presença, dos seus sentidos já vazio, se recolheu à Era da Indiferença. Ninguém jamais podia ter suposto que ele e tudo estivessem conjugados e que tudo, essas sombras, esses prados, essa água mesma eram o…